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Rali do petróleo começou com esperanças de vacinas contra Covid-19?

01 dezembro 2020 - 17h13Por Investing.com

Por Geoffrey Smith, da Investing.com - A indústria de petróleo e gás de repente tem muito a agradecer à indústria de ciências biológicas.

Os anúncios da Pfizer (NYSE:PFE); (SA:PFIZ34) e da BioNTech (NASDAQ:BNTX), e depois da Moderna (NASDAQ: MRNA), de que suas vacinas contra Covid-19 foram comprovadas como eficazes e seguras mudaram completamente as perspectivas para o mercado mundial de petróleo.

Pelo menos isso é o que se pensa observando o desempenho dos preços do petróleo nas últimas duas semanas. A perspectiva de uma retomada vigorosa da demanda permitiu que o mercado "relevasse" uma nova queda no consumo causada pela desaceleração das economias norte-americana e europeia. Diversos graus de restrições a reuniões sociais e negócios atingiram novamente os dados de mobilidade e forçaram as pessoas a voltar a uma vida de consumo de combustível quase nulo: França, Inglaterra, Irlanda e Espanha promulgaram bloqueios quase completos para negócios não-industriais, enquanto o governador da Califórnia, Gavin Newsom, disse na segunda-feira que ele também pode ter de emitir uma nova ordem de isolamento domiciliar para os 40 milhões de habitantes do estado, em um esforço para tirar a pressão de seu sobrecarregado sistema de saúde.

Apesar disso, os preços subiram um terço de uma mínima próxima de US$ 34 o barril no início do mês, para mais de US$ 45 o barril nos EUA na terça-feira, e para mais de US$ 48 o barril na Europa. E, no entanto, o rali ainda parece mais um fenômeno de sentimento do que de substância. Especificamente, os fundos de hedge, que não estavam dispostos a pegar a commodity de graça sete meses atrás, aumentaram suas compras de contratos futuros, empurrando o nível de posições longas líquidas especulativas para o seu nível mais alto desde agosto, de acordo com dados da US Commodity Futures Trading Comission.

A lógica é bastante simples. Se - como parece provável - a vacinação em massa começar no início do próximo ano nos Estados Unidos e na Europa, os consumidores logo recuperarão a confiança para retornar aos padrões "normais" de vida e trabalho - indo para um escritório com milhares de outras pessoas, dirigindo para os cinemas, restaurantes e estádios, pegando táxis, voando para destinos de férias e para reuniões de negócios etc. - todas as coisas que não fizeram este ano.

E, ainda assim, essa lógica ainda não foi expressa em nenhuma das principais perspectivas para o mercado de petróleo publicadas pelo governo dos EUA, pela Agência Internacional de Energia e, o mais importante, pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Como disse o presidente da Opep, Abdelmajid Attar, na segunda-feira ao abrir uma reunião ansiosamente aguardada para revisar a política de produção do grupo para os próximos meses: "Está claro que uma implantação global de vacinas levará tempo e seu efeito provavelmente começará a ser significativamente aparente na segunda metade de 2021.

Grande parte da alta das últimas duas semanas foi uma reação à sinalização da Arábia Saudita e da Rússia, os membros mais importantes do chamado bloco Opep+, de que adiariam o cronograma de aumento da produção a partir de janeiro por pelo menos alguns meses. No entanto, a alta nos preços em resposta às notícias da vacina provocou uma mudança de opinião em Moscou, que supostamente apoiou uma proposta dos Emirados Árabes Unidos na segunda-feira de abrir as torneiras já em janeiro - embora de apenas até 500 mil barris por dia, em vez dos 1,9 milhão do acordo atual.

Ao todo, a Opep e seus aliados ainda retêm 7,7 milhões de barris por dia de produção potencial do mercado. A Opep atualmente espera um aumento de 6,1 milhões de bpd na demanda global no próximo ano. As perspectivas para os preços, portanto, continuarão a depender da disciplina de um punhado de países cujos orçamentos foram esticados ao ponto de ruptura este ano.

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