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Novas possibilidades

Para fugir da bolsa: conheça 5 tipos de investimentos alternativos

Uma outra classe de ativos começa a crescer com força no país

27 abril 2021 - 08h42Por Investing.com

Por Ana Carolina Siedschlag, da Investing.com - Com parte dos brasileiros se familiarizando com o mundo do mercado financeiro e conseguindo montar uma carteira com ações, BDRs, fundos de renda fixa e outros, uma outra classe de ativos começa a crescer com força no país: a dos investimentos alternativos, ou ativos ilíquidos.

Esses produtos nada mais são do que investimentos que estão fora das negociações de bolsa ou balcão e das prateleiras das corretoras, e que, até pouco tempo, estavam quase exclusivamente restritos a investidores profissionais.

Só que essa realidade tem mudado aos poucos, tanto pelo interesse em diversificar a carteira com bons produtos como pela chegada de novas tecnologias que facilitam o acesso e entendimento de ativos com certa complexidade judicial ou operacional.

Segundo os especialistas na área consultados pelo Investing.com, os investimentos alternativos costumam ter menos liquidez e um grau de risco maior, mas também podem trazer retornos interessantes para as carteiras.

A principal dica é que os investimentos alternativos devem ser um complemento da carteira já diversificada e o cliente deve ter algum conhecimento e experiência lidando com o mercado antes de explorar essas categorias.

Também, por terem menos liquidez, o investidor precisa estar bem posicionado e bem organizado para ter uma reserva de curto prazo e não depender desses investimentos para situações de emergência.

Com essas dicas em mente, conheça 5 opções de ativos alternativos para incrementar o portfólio:

1. Private equity
A explosão de startups e empreendedores no país, de um lado, e, do outro, a chegada de mais pessoas dispostas a investir dinheiro em boas ideias de negócios fez com que os investimentos em private equity explodissem no Brasil.

Uma consequência disso foi a chegada de escritórios especializados em unir essas duas pontas da equação, como o Grupo Solum, que tem entre os sócios os ex-executivos da XP Rodrigo Fizsman e Patricia Stille. Segundo eles, a missão é democratizar o acesso do investidor médio a investimentos em pequenas e médias empresas - a definição de private equity.

O Grupo lançou, em setembro de 2020, a plataforma beegin.invest, com foco em companhias maiores que startups, que, segundo Stille, “já tenham passado por essa primeira arrebentação” e estejam consolidadas em suas áreas de atuação.

São empresas com faturamento anual acima de R$ 3 milhões, escolhidas pelos analistas do grupo, e que podem se financiar emitindo títulos de dívida simples, dívida conversível ou participação acionária. Da parte dos investidores, o montante inicial mínimo para entrar no negócio é de R$ 5 mil.

“O objetivo é destravar oportunidade de investimento para o investidor e financiamento para o empreendedor”, diz Fiszman.

Um exemplo é a oferta em aberto dentro da plataforma da Company Hero, empresa especializada em digitalizar endereços via escritórios virtuais. A rodada de investimentos está avaliada em R$ 35,9 milhões, com encerramento em 12 de junho de 2021.

2. Royalties musicais
Já pensou rentabilizar com a obra de um artista que você admira? Essa é a ideia dos royalties musicais, uma classe de investimentos que tem ganhado espaço e adeptos no país.

Nela, o investidor adquire os recebíveis de uma obra e passa a ter direito do que é gerado por execução pública, como em plataformas de streaming, por exemplo. A operação pode ser feita a partir de qualquer titular do direito autoral, seja o compositor, o artista ou a gravadora da música.

Arthur Farache, CEO da Hurst, escritório especializado em investimentos alternativos, explica que a etapa chamada de originação é a atividade mais importante e que dá mais trabalho nesse processo.

É nela que o escritório busca o detentor dos direitos, negocia, precifica o ativo e firma os contratos, analisando se a obra não tem nenhum risco de curto prazo ou questões legais que impeçam a distribuição dos direitos.

Na Músicas do Brasil, braço especializado em royalties musiciais da Hurst, são oito profissionais para fazer essa análise, incluindo pessoal de gravadoras, que medem desde o impacto da obra até a imagem do artista em questão.

“Risco de imagem é difícil de medir, mas é preciso conviver com ele. O artista pode eventualmente entrar numa polêmica e não temos como controlar esse efeito. Às vezes, ele pode até ajudar a aumentar o streaming”, aponta.

Atualmente, o escritório tem uma operação em aberto no segmento, o instrumento de Cédula de Crédito Bancário (CCB), que será utilizado para financiar parte das aquisições dos ativos musicais do compositor e cantor Toquinho.

A operação tem rentabilidade de 12% ao ano, prazo de 361 dias e pagamento único ao final da operação de juros e principal.

O investimento mínimo é de R$ 10 mil e a intenção é chegar a R$ 621 mil, com data de encerramento da captação em 7 de maio de 2021.

Segundo os analistas que estruturaram a operação, o portfólio de Toquinho é composto por obras e fonogramas com idade média de mais de 35 anos, com fluxo de caixa estável e com pouca variação nos valores históricos anuais recebidos.

3. Precatórios
Já os precatórios são como um título de pagamento de determinada quantia a que o governo, seja da esfera federal, estadual ou municipal, foi condenado a pagar em processo judicial.

Acontece que, a depender do processo, esses títulos podem demorar anos para ser liquidados, o que nem sempre é vantajoso para a pessoa que espera por esse dinheiro.

Assim, existe um mercado de venda de precatórios com deságio, em que o beneficiado abre mão de uma parte do valor integral para receber o restante da quantia à vista. O título desses recebíveis é, então, repassado a outros, que ganham um crédito para entrar na fila e esperar o prazo final de liquidação.

Caio Fasanella, CEO da Balko, escritório especializado nesse tipo de investimento, explica que grandes instituições financeiras têm feito essas operações há anos no Brasil, mas com valores muitas vezes inacessíveis a investidores menores. Para ele, a evolução da tecnologia permitiu que outras plataformas surgissem para oferecer esses investimentos às pessoas físicas.

Em abril, a Balko finalizou uma rodada de investimentos em precatórios federais de R$ 5,2 milhões e pretende chegar à marca de R$ 100 milhões em vinte rodadas este ano.

No momento, o escritório tem três ofertas programadas para encerrar a captação no final deste mês. Uma delas, a Precatório Federal INSS 2022, estima rentabilidade de 17% ao ano, com liquidação prevista para dezembro de 2022.

O total disponível é de R$ 93 mil, com aporte mínimo de R$ 3.000,00 e máximo de R$ 30 mil.

“A nossa intenção é diminuir esse montante mínimo para democratizar mais o acesso. Mas, como é um ativo ainda pouco conhecido e que pode ser um pouco complexo, vamos fazendo isso aos poucos”, diz Fasanella.

4. Usina de energia renovável
Algo que também vem crescendo no Brasil são as pequenas usinas de energia dentro do segmento de geração distribuída, em que a eletricidade é gerada próxima ou no local de consumo e ligada à rede pública. Por lei, ela deve vir de fontes renováveis, como solar ou eólica.

Com o aumento da procura por pequenas usinas como essas, a Bloxs, escritório de investimentos alternativos, passou a ligar investidores interessados em financiar o segmento aos interessados em construí-lo.

O escritório tem uma operação em aberto, da TMX Energy, para a gestão e manutenção de uma usina fotovoltaica de 1 MW de potência instalada localizada no município de Patos de Minas (MG). Os investidores terão participação de 51% a 68%, dependendo do volume captado.

O retorno projetado é 20% ao ano, com prazo de investimento de 30 anos e payback médio de 7,89 anos. O valor da cota é de R$ 10 mil.

A Bloxs também oferece uma outra modalidade de investimentos, voltada ao agronegócio. “A ideia é possibilitar que o investidor da cidade seja fazendeiro”, brinca Felipe Souto, CEO da companhia.

O escritório serve de intermediário entre a empresa que é dona de uma propriedade rural, e que busca recursos para ampliação, e os potenciais sócios. Assim, o investidor, através de um Contrato de Investimento Coletivo (CIC), entra diretamente na sociedade.

No momento, não há nenhuma oferta disponível nesta modalidade pelo escritório, mas, segundo Souto, a intenção é que outras oportunidades entrem na plataforma ainda este ano.

5. Mercado imobiliário
Uma das maneiras de investir no mercado imobiliário sem precisar entrar em fundos ou adquirir o próprio imóvel é através dos financiamentos coletivos das obras, feitos para diferentes estágios delas.

A Inco, startup acelerada pela venture capital Bossa Nova, é especializada em financiamentos para o período chamado de alavancagem da construção imobiliária, que antecede a construção em si e financia a preparação do canteiro de obras ou a montagem de show rooms, por exemplo.

Segundo representantes da plataforma, para as construtoras, obter financiamento nesse estágio inicial em bancos tradicionais costuma ser mais custoso, o que eleva os juros pela operação para perto de 18%.

Assim, através da Inco, as imobiliárias conseguem condições mais vantajosas através do financiamento coletivo, entregando uma rentabilidade média de 14% por operação para o investidor.

A plataforma tem um projeto em aberto da ERP Empreendimentos, de Hortolândia (SP), com captação alvo de R$ 1 milhão e investimento mínimo de R$ 500. A rentabilidade projetada é de 13,5% ao ano, com prazo de 18 ou 24 meses.

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