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Alta da Selic impacta no crédito, mas será que derruba a inflação?

Fica a dúvida se o mercado de crédito continuará sua expansão ou se observaremos uma desaceleração nessa dinâmica indústria

06 outubro 2021 - 14h38Por Breno Costa

 

Demorou muito tempo para que a taxa básica de juros chegasse aos 2% ao ano, mas poucos meses para que ela voltasse a subir. Com a inflação em alta, o Banco Central, por meio de seu Comitê de Política Monetária (Copom), se viu obrigado a aumentar, a cada reunião, o percentual da Selic. No último encontro, em setembro, ficou definida a elevação da taxa para 6,25% ao ano.

O objetivo é conter a inflação, que está acima da meta. A ideia é simples. A Selic mais alta faz com que os juros para o consumidor também subam. Isso eleva o valor dos financiamentos. Comprar roupas, uma geladeira ou mesmo um carro financiado fica mais caro e a parcela a ser paga mensalmente deixa de caber no orçamento de muitas famílias. Por isso, as pessoas passam a gastar menos.

Teoricamente, com menos consumo circula menos dinheiro e as empresas como um todo se veem obrigadas a parar de subir os preços de seus produtos e serviços. Assim que a inflação para de aumentar, o Copom muda a estratégia e passa a reduzir a taxa. É uma tática que costuma funcionar quando a economia é sólida e funciona sem distorções.

No mesmo dia em que o Copom anunciou o aumento da taxa básica de juros por aqui, nos Estados Unidos o Federal Reserve divulgou que pretende manter a taxa básica daquele país entre 0% e 0,25%, sinalizando a pretensão de aumentá-la para 0,3% ao ano em 2022. Alta bem menor do que a nossa. De qualquer forma é uma alta e tem o mesmo intuito de controlar o excesso de liquidez. Então, temos a impressão de que a tática que pode funcionar lá, também poderá funcionar aqui.

Acontece que, lá, o dólar é uma moeda forte, a recuperação econômica com geração de vagas de emprego tem acontecido de forma mais rápida e, apesar de o mercado atuar mais livremente do que no Brasil, existe nos Estados Unidos uma política de abastecimento interno capaz de manter a normalidade e evitar uma escalada inflacionária como acontece em terras tupiniquins.

No Brasil, o real está desvalorizado. A desvantagem cambial encarece tudo o que vem de fora. E muitos produtos e matérias-primas vêm do exterior. Aqui o desemprego alcança quase 14% da população economicamente ativa e ainda há um grande percentual de gente subempregada. Exportamos muito a ponto de reduzir a oferta para o mercado doméstico.  E aí podemos incluir questões como os problemas na cadeia de suprimentos, que é global, crise política entre os poderes da República, entre outros.

Com tudo isso, será que a tática de aumentar a Selic será suficiente para combater a inflação? O remédio administrado pode ter como efeito colateral aprofundar a crise econômica. Se precisamos reduzir o consumo para diminuir a escalada inflacionária em um país que, ao contrário, precisa justamente aumentar o consumo para aumentar a empregabilidade, o faturamento das empresas e a arrecadação do governo, o que podemos esperar?

Agora seria um momento em que bancos e fintechs poderiam contribuir bastante para a retomada econômica com a oferta de crédito barato para pessoas físicas e jurídicas. Mas os constantes aumentos da taxa básica de juros e a expectativa de que o percentual chegue aos dois dígitos até o final do ano dificultam às instituições financeiras e demais atores do mercado a atuarem como protagonistas do crescimento, como ocorre nos Estados Unidos.

Os players do sistema financeiro do Brasil trabalham há anos para democratizar o crédito, tornando-o mais barato e acessível a um maior número de pessoas físicas e jurídicas. Mas os agentes privados podem menos quando o problema é de cunho estrutural e a instância responsável pelo ajuste, que é o poder público, não consegue aplicar uma equação que solucione os problemas.

Toda a tecnologia que hoje permite análises de crédito mais apuradas, a regulamentação que possibilitou a entrada de novos players no mercado e a concorrência que isso gerou são uma força para expansão do crédito no Brasil. Dada a certeza da inflação e do aumento da taxa Selic, fica a dúvida se o mercado de crédito continuará sua expansão ou se observaremos uma desaceleração nessa dinâmica indústria.

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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