A Argentina enfrenta a Espanha neste domingo, 19, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, na grande final da Copa do Mundo de 2026. Sob o comando de Lionel Scaloni, a seleção albiceleste busca o bicampeonato consecutivo e o quarto título mundial. Mais do que tática, o time carrega uma filosofia chamada La Nuestra, que define a essência do futebol argentino.

Origens do futebol arte argentino

A expressão La Nuestra surgiu nas primeiras décadas do século XX, quando os argentinos começaram a dar forma própria ao esporte importado da Inglaterra. Os britânicos haviam implantado regras e clubes, mas a criatividade local transformou o jogo em algo genuíno. Esse movimento coincidiu com a profissionalização e a efervescência de Buenos Aires como capital do futebol mundial.

Cronistas e intelectuais passaram a discutir a natureza do jogo local. A produção intelectual da época ajudou a consolidar uma identidade baseada na técnica, no passe curto e na improvisação.

O papel de Borocotó e a revista El Gráfico

O jornalista Ricardo Lorenzo, conhecido como Borocotó, foi um dos principais teóricos desse movimento. Em textos da revista El Gráfico, ele descreveu o futebol argentino como um estilo que valoriza o drible, a inteligência e a criatividade. Suas ideias se tornaram a base do conceito de La Nuestra.

A partir dali, a essência do futebol argentino passou a ser descrita como um jogo de técnica apurada e liberdade criativa.

La Máquina: a primeira grande referência

A equipe do River Plate dos anos 1940, apelidada de La Máquina, foi a materialização desse ideal. O time oferecia um futebol coletivo, móvel e técnico, frequentemente citado como exemplo máximo do estilo. Jogadores como Alfredo Di Stéfano despontaram nesse contexto, levando a filosofia para o mundo.

Aquele River Plate se tornou a primeira grande vitrine de La Nuestra, inspirando gerações futuras.

Guardiões da tradição: de Menotti a Scaloni

O técnico César Luis Menotti, campeão em 1978, defendia abertamente La Nuestra. Para ele, a seleção deveria preservar a técnica, a criatividade e o protagonismo com a bola. Já Carlos Bilardo, campeão em 1986, equilibrava competição e estética, com Diego Maradona como maestro.

Hoje, Lionel Scaloni representa uma nova geração de guardião do conceito. Ele aproxima os jogadores do que faziam nos potreros, valorizando o passe e a qualidade técnica. Sua campanha na Copa de 2026 incluiu viradas históricas e atuações brilhantes de Lionel Messi, herdeiro direto dessa linhagem.

Messi como herdeiro da tradição

Lionel Messi é o mais recente grande expoente de La Nuestra. Ele se junta a Maradona, Riquelme e outros na galeria dos que personificaram esse estilo. Na final contra a Espanha, a filosofia argentina será posta à prova.

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