Aos 53 anos, a curitibana Ione Zanoto viu sua trajetória profissional ganhar novos contornos após receber o diagnóstico de câncer de tireoide. Ex-vendedora de carros, ela encontrou na panificação uma alternativa para recomeçar, transformando uma atividade caseira em potencial fonte de renda. Para isso, passou a frequentar os cursos gratuitos de qualificação oferecidos pela Prefeitura de Curitiba, em parceria com o Senac, com o objetivo de profissionalizar o processo.

Recomeço profissional após o diagnóstico

A descoberta da doença interrompeu anos de atuação no setor de vendas de automóveis, levando Ione a repensar completamente sua trajetória. Diante do novo cenário, ela optou por investir naquilo que já fazia com afeto em casa: a produção de pães. A busca por qualificação profissional tornou-se, então, uma estratégia para transformar a atividade caseira em uma oportunidade concreta de geração de renda.

Ao longo dos cursos, Ione passou a perceber que o universo da panificação profissional exige muito mais do que boas receitas. Ela menciona que a cada saída de sala de aula nota o quanto ainda desconhece, citando desde o instante de inserir a manteiga na massa até o momento certeiro de levar o pão ao forno. Higiene, organização e preparo dos alimentos entraram no seu vocabulário como componentes essenciais, mostrando que a técnica engrandece o ofício.

Da cozinha caseira ao padrão profissional

A diferença entre produzir pães em casa e atuar profissionalmente é um dos aprendizados centrais apontados ao longo do processo de capacitação. No ambiente doméstico, a produção costuma ser empírica, baseada em receitas de família e no olhar de quem aprendeu na prática. Já no curso, Ione entrou em contato com processos padronizados, que envolvem controle de medidas, temperaturas e tempos de preparo, além de critérios rigorosos de higiene.

Esse salto de qualidade é decisivo para quem deseja transformar o bolo caseiro em produto comercializável. A padronização garante consistência ao resultado, um requisito essencial para conquistar e fidelizar clientes. A experiência acumulada por Ione, somada às técnicas absorvidas, reforça o potencial de sua empreitada, seja na venda para conhecidos ou na estruturação de um pequeno negócio formal.

Aulas além da técnica: o papel social da qualificação

Enquanto muitos frequentam os cursos em busca de retorno financeiro, outros encontram nas salas de aula um espaço de convivência e bem-estar. É o caso de Assunção Martussi, de 77 anos, que participa das formações sem a pretensão de comercializar os pães. Para ela, o curso representa uma oportunidade de sair de casa, interagir com outras pessoas e manter uma rotina ativa de aprendizado.

Assunção relatou que, em casa, a mente tende a se dispersar em pensamentos e conversas desconexas, enquanto no ambiente de aprendizado há troca de histórias e contato humano. Essa experiência a levou a ampliar sua frequência fora do domicílio e a afirmar que, havendo uma nova turma, ela certamente se matriculará. O caso ilustra como políticas públicas de qualificação podem gerar impactos que vão além do aspecto econômico, atingindo também a saúde mental e a inclusão social de uma população que muitas vezes fica à margem.

Capacitação gratuita como porta de entrada para o mercado

Para quem busca uma nova profissão ou uma renda complementar, os cursos gratuitos funcionam como o primeiro passo na direção do mercado de trabalho ou da criação de um pequeno negócio. Já para aqueles que possuem experiência, representam a chance de aperfeiçoamento e de profissionalização de uma atividade já existente. A flexibilidade do programa é um dos pontos mais valorizados, pois atende desde o iniciante até o profissional que deseja se atualizar.

Em Curitiba, a oferta é variada, com aulas itinerantes pelos Liceus de Ofícios e pelo Centro de Aprendizagem Profissionalizante, e também em instituições parceiras como Senai, Senac, Colégio e Cursos Excelência e CIEE, via Vale Qualificação. Os interessados devem comparecer ao Centro de Aprendizagem, na Rua Barão do Rio Branco, 45, no 8º andar, ou às unidades do Sine Municipal nas Ruas da Cidadania. Os pré-requisitos incluem ser morador da capital, estar desempregado e ter renda familiar de até três salários mínimos.