Junior oil NBS inicia produção e quer crescer com M&As

A NBS Petróleo e Gás, companhia criada por três ex-funcionários da Petrobras, está pronta para dar o primeiro passo como operadora de produção em terra. A Agência Nacional do Petróleo aprovou a autorização que permite à empresa iniciar a extração nos dois ativos terrestres que adquiriu no Espírito Santo, os primeiros de sua história. A produção inicial esperada é de 40 barris por dia, com trajetória de crescimento para 250 barris diários até 2029, levando em conta apenas os poços já existentes.

O CEO Gelson Nico resumiu a fase como o momento de dar a partida efetiva na operação, depois de todo o trabalho de preparação dos equipamentos e cumprimento das exigências regulatórias. A companhia aguardava justamente esse sinal verde final para começar a extrair petróleo nos campos vindos da Origem Energia.

Autorização da ANP libera produção em dois ativos da NBS no Espírito Santo

Os dois ativos foram negociados com a Origem Energia, que os havia arrematado em um leilão de acumulações marginais promovido pela ANP. A NBS iniciou as conversas com a empresa no ano passado e, depois da aprovação da cessão em junho, passou a preparar a infraestrutura para produção.

O modelo de atuação da companhia é focado exclusivamente em campos onshore, segmento que voltou a atrair novos operadores no Brasil depois da abertura do mercado e da saída da Petrobras de áreas maduras. A autorização publicada ontem é o desfecho de um processo que envolveu capital privado, negociação bilateral e o cumprimento das etapas regulatórias da ANP.

Com a produção em marcha, a NBS pretende demonstrar na prática a tese de que ativos considerados marginais por grandes grupos podem gerar retorno expressivo quando operados por uma companhia de porte compatível. A meta de chegar a 250 barris por dia em 2029, sem contar novas perfurações, será o primeiro teste dessa equação nos campos da Origem.

A terceira onda do onshore brasileiro

Na avaliação da diretoria da NBS, o mercado brasileiro de petróleo em terra vive um novo ciclo, distinto do período de monopólio estatal e também da fase recente de formação das grandes independentes. Se antes os ativos eram vendidos pela Petrobras a empresas como PRIO, 3R Petroleum, PetroRecôncavo e Origem, agora há espaço para um movimento seguinte: o repasse de campos menores dessas próprias independentes para grupos com estrutura ainda mais enxuta.

Gelson Nico classifica a NBS como parte dessa terceira onda da indústria nacional. A tese da empresa é que determinados campos pesam no balanço ou consomem esforço de gestão desproporcional dentro de portfólios amplos, mas podem se tornar plenamente viáveis nas mãos de uma operadora com custo fixo reduzido e atuação direta na reativação de poços.

Foi com esse diagnóstico que a NBS passou a monitorar as oportunidades oferecidas no mercado secundário de ativos de petróleo e gás. A negociação com a Origem começou no ano passado e resultou na compra dos dois campos terrestres que a operadora havia obtido em leilão de áreas marginais. Antes de operar campos próprios, a NBS prestava serviços a outras operadoras, realizando manutenção e revitalização de poços, além de atuar na gestão de ativos e na operação de unidades terrestres.

Captação com pessoas físicas e apoio da L4 Capital

Para financiar a transação, a companhia contou com o multifamily office L4 Capital, que estruturou uma rodada de captação direcionada a investidores pessoa física. Os participantes ficaram com 16% do capital da NBS, em uma operação com tíquetes que variaram de R$ 50 mil a R$ 1,5 milhão. O grupo de investidores também passou a ter representação no conselho da companhia.

Carlos Suslik, sócio e CEO da L4, afirma que a projeção dos sócios é de uma taxa interna de retorno superior a 55% para o investimento. O desenho lembra, em escala menor, o início de outras operadoras independentes brasileiras: a Origem Energia, por exemplo, começou com um campo adquirido por R$ 30 mil e teve de incluir um carro e um imóvel do pai da fundadora, Luna Viana, no balanço para atender aos requisitos de patrimônio mínimo da ANP.

O movimento mostra como o capital de pessoas físicas pode participar do financiamento de aquisições no setor de óleo e gás, especialmente em operações de menor porte que não despertam o interesse de fundos de infraestrutura ou de grandes grupos financeiros.

Nova aquisição no Espírito Santo e emissão de debênture

Em paralelo à entrada em produção, a NBS já fechou a compra de um campo da Mandacaru Energia, também no Espírito Santo. Para essa transação, a empresa levantou R$ 10 milhões por meio de uma emissão de debêntures, novamente estruturada pela L4 Capital. O ativo, que já está em fase de produção, deve ser incorporado formalmente ao portfólio da companhia em 2027, depois de cumpridas todas as aprovações regulatórias necessárias.

Com a nova aquisição, o plano da NBS ganha um componente relevante: além de reativar poços e acelerar a curva de produção nos campos vindos da Origem, a empresa passa a contar com um ativo em operação que pode gerar receita de forma mais imediata enquanto os demais campos são desenvolvidos.

A aquisição sinaliza ainda a disposição da empresa de avançar em novas frentes de crescimento. A estrutura de capital montada para a operação com a Mandacaru, baseada em dívida com investidores, permite à NBS diversificar as fontes de financiamento sem diluir novamente a participação dos atuais acionistas.

Planos de M&As e metas de custo para o crescimento

O portfólio atual está concentrado no Espírito Santo, mas a ambição da companhia é ampliar a presença em outros estados com produção onshore, como Bahia e Rio Grande do Norte. A NBS afirma que atuará apenas em campos marginais e não pretende assumir riscos exploratórios, modelo que a própria equipe define como uma espécie de “junior das junior oils”.

Gelson Nico avalia que a estrutura enxuta é o principal diferencial competitivo. Campos que pesam na operação de companhias maiores podem ser lucrativos para um operador com menos camadas administrativas e custo fixo menor. É nesse universo de ativos pouco prioritários que a NBS pretende concentrar seus esforços de M&As nos próximos anos.

Do lado operacional, a companhia estima um custo de extração por barril inicialmente na casa de US$ 23, com meta de redução para uma faixa entre US$ 13 e US$ 15 por barril conforme a operação ganhe escala e eficiência. A projeção de 250 barris por dia até 2029, sem considerar novas perfurações, é o horizonte de referência para a estratégia nos campos já adquiridos.