
A comunicação corporativa brasileira encerrou 2025 com R$ 5,72 bilhões em faturamento, alta nominal de 6,7% sobre o ano anterior. Em termos reais, descontada a inflação, o crescimento chegou a 2,44%, acima dos 2,3% registrados pelo PIB e dos 1,8% do setor de serviços. A pesquisa, realizada com 188 agências de 32 cidades e 16 estados, mostra um mercado em expansão, mas também revela diferenças expressivas de desempenho entre seus participantes. A Gueratto Press, por exemplo, avançou 331%, quase 27 vezes o ritmo nominal do setor, e passou da 38ª para a 12ª posição no ranking brasileiro de boutiques de comunicação em apenas 1 ano.
Por trás desse crescimento está uma aposta em setores nos quais comunicação e credibilidade caminham próximas. A agência aprofundou sua atuação em economia, investimentos e negócios, atendendo empresas que precisam explicar produtos, estratégias e movimentos de mercado a públicos diversos. Em áreas como gestão de recursos, crédito, venture capital, fintechs e seguros, a comunicação enfrenta uma barreira particular: boa parte dos temas que fazem parte da rotina dos executivos ainda soa técnica para quem está fora desse universo.
Especialização em finanças impulsiona expansão
A carteira atual ajuda a dimensionar essa especialização. Entre os clientes estão a Rio Bravo Investimentos, responsável por R$ 13,2 bilhões administrados no Brasil, a Artesanal Investimentos, com R$ 22,8 bilhões sob gestão, e a Ouro Preto Investimentos, com R$ 17,5 bilhões. A agência também atende a Bossa Invest, que soma mais de 1.500 startups investidas, o economista Gustavo Franco, um dos responsáveis pela formulação do Plano Real, além de companhias ligadas a crédito estruturado, special situations, infraestrutura financeira e seguros.
O ponto em comum entre essas empresas está menos no modelo de negócios e mais no desafio de comunicação. Temas como inflação, juros, FIDCs, crédito privado, venture capital, regulação e recuperação de empresas precisam deixar o vocabulário restrito ao mercado para se transformar em informação de interesse mais amplo. Isso muda também o papel da assessoria. Em vez de procurar exposição apenas quando a companhia lança um produto ou anuncia uma operação, o trabalho passa a posicionar seus executivos em discussões que já ocupam a agenda econômica e empresarial.
Da notícia corporativa ao debate econômico
Uma mudança na Selic pode abrir espaço para uma gestora explicar seus efeitos sobre o crédito. O aumento das recuperações judiciais pode ser analisado por especialistas em special situations. O crescimento dos FIDCs permite discutir a transformação do financiamento empresarial, enquanto novas estruturas criadas por fintechs ajudam a mostrar como companhias tradicionais estão incorporando serviços financeiros.
A lógica é associar as marcas aos assuntos em que efetivamente possuem conhecimento, e não apenas às notícias produzidas sobre suas próprias atividades. Segundo a Gueratto Press, os espaços editoriais conquistados para clientes ultrapassaram R$ 2 bilhões em equivalência de mídia em 2025. “A presença na imprensa precisa fortalecer reputação, abrir portas e aproximar a empresa de seus públicos. O resultado não termina quando a notícia é publicada”, afirma Fabrizio Gueratto, sócio-fundador da agência.
Portfólio avança para novos setores
Essa atuação se ampliou nos últimos anos e hoje alcança também os mercados imobiliário, de tecnologia, saúde, seguros, serviços e consumo. Alumbra Empreendimentos, Loovi, Finscale e Speedo estão entre as empresas que passaram a compor um portfólio antes mais concentrado no universo financeiro.
A diversidade exige estratégias diferentes: algumas companhias precisam tornar modelos de negócio compreensíveis, enquanto outras disputam espaço em mercados maduros e altamente concorridos.
Indicações sustentam nova fase de crescimento
A expansão por indicação tornou-se outro componente desse movimento. Gestores, investidores, executivos e empresas circulam em redes profissionais conectadas, o que faz com que experiências com fornecedores também se propaguem dentro desse ambiente.
“Quando um cliente indica nosso trabalho, ele coloca o próprio nome naquela recomendação. Essa confiança nasce da consistência, do envolvimento da equipe e da nossa cobrança intensa por resultado”, afirma Priscila Oliveira, sócia da Gueratto Press.
Depois de crescer acima do setor e avançar 26 lugares no ranking, a empresa entra agora em uma nova etapa: ampliar a operação preservando a especialização que impulsionou seu crescimento.





