
A Endeavor Brasil reformulou a composição do seu conselho de administração e passou a contar com Stelleo Tolda, cofundador do Mercado Livre, e Jean-Marc Etlin, managing director da Bluebird, em um movimento que sinaliza a intenção da entidade de ampliar sua atuação para além do universo de venture capital. Os dois executivos, que já atuavam como mentores e embaixadores no ecossistema da organização, agora ganham assento permanente no board e passam a participar diretamente das decisões estratégicas.
A mudança ocorre em um momento de transição na governança da Endeavor Brasil. Eric Santos, fundador da RD Station, deixa o conselho após oito anos de contribuição, e a instituição decidiu adicionar uma nova cadeira ao colegiado. Com isso, o board passa a ter sete integrantes, sendo cinco empreendedores ligados à rede Endeavor e dois nomes com trajetória consolidada no mercado financeiro e no setor de tecnologia.
Composição equilibrada entre empreendedores e executivos de mercado
A nova estrutura do conselho reflete uma busca por diversidade de visões. O colegiado agora reúne Cesar Carvalho, que preside o grupo, Sergio Furio, Mariana Dias, Tiago Dalvi e Robson Privado, todos empreendedores Endeavor, além dos dois novos integrantes. A presença de Tolda e Etlin, no entanto, não representa uma ruptura com o passado, mas sim a construção de um modelo híbrido de governança.
Maria Teresa Fornea, CEO e conselheira da Endeavor Brasil, explicou que a entidade passou por diferentes ciclos de formação do board. Em um primeiro momento, o conselho era composto majoritariamente por executivos com vivência de mercado. Depois, houve um período em que todos os integrantes eram empreendedores Endeavor. Agora, a aposta é em um formato misto, capaz de proporcionar uma leitura mais ampla dos desafios e das oportunidades que se apresentam para a organização.
Pluralidade de experiências como trunfo estratégico
A chegada de Stelleo Tolda é vista internamente como uma forma de reforçar a missão central da Endeavor de inspirar empreendedores a buscarem ambições maiores. Por ter construído uma das maiores empresas de tecnologia da América Latina, ele carrega uma trajetória prática que se alinha ao discurso de incentivo ao crescimento escalável. Além disso, Tolda está em um momento profissional no qual o sentimento de retribuição ao ecossistema, o chamado give back, ganha protagonismo.
Jean-Marc Etlin, por sua vez, entra para ajudar a Endeavor a enxergar oportunidades de alto crescimento fora do circuito tradicional de venture capital. A intenção declarada é manter o olhar atento para a tecnologia, mas também ampliar o radar para setores da chamada economia física, onde há espaço relevante para desenvolvimento de negócios de grande porte. A trajetória de Etlin no Itaú BBA e na CVC Capital Partners, onde foi head para a América Latina, chairman e senior advisor, confere a ele uma visão privilegiada sobre estruturação de empresas e expansão em mercados complexos.
Movimento reforça olhar para além do venture capital
A decisão de incluir Etlin no conselho carrega um simbolismo importante. Durante quase uma década na CVC, ele atuou em operações de private equity, um segmento que historicamente caminha em paralelo ao mundo das startups, mas que compartilha com ele a lógica de busca por empresas com potencial de escala e geração de valor no longo prazo. Sua passagem pelo comando do banco de investimento do Itaú BBA também adiciona uma camada de conhecimento sobre financiamento corporativo e relações com grandes grupos econômicos.
Além dos cargos executivos, Etlin integra os conselhos da SHV Holdings, da Lhoist e do RenovaBR, o que demonstra sua inserção em diferentes frentes do empresariado nacional e internacional. Essa rede de contatos e a experiência multifacetada devem contribuir para que a Endeavor Brasil consiga estabelecer pontes com setores que tradicionalmente não participam do ecossistema de inovação e empreendedorismo de alto impacto.
O papel de Stelleo Tolda na nova fase da entidade
A presença de um dos fundadores do Mercado Livre no conselho da Endeavor Brasil carrega um valor simbólico relevante. Tolda participou da construção de uma empresa que se tornou referência global em comércio eletrônico e serviços financeiros digitais, e sua experiência prática em escalar operações em múltiplos países da América Latina é um ativo raro para qualquer organização que busca fomentar o empreendedorismo de alta performance.
Sua atuação como mentor e embaixador já era conhecida dentro da rede, mas o novo papel no board amplia sua capacidade de influência sobre os rumos da instituição. A expectativa é que ele ajude a Endeavor a fortalecer a cultura de ambição entre os empreendedores apoiados, servindo como exemplo concreto de que é possível construir negócios gigantes partindo da realidade brasileira e latino-americana.
Jean-Marc Etlin e a aproximação com a economia física
Enquanto Tolda representa a inspiração para o crescimento ambicioso, Etlin chega com a missão de ajudar a Endeavor a diversificar seu campo de atuação. A entidade deixa claro que não pretende abandonar o foco em tecnologia, mas sinaliza que quer olhar com mais atenção para segmentos como indústria, varejo, saúde, infraestrutura e outros setores nos quais o alto crescimento pode ocorrer sem a necessidade de um modelo puramente digital.
Essa aproximação com a economia física é vista como uma evolução natural do ecossistema empreendedor brasileiro, que amadureceu nas últimas décadas e hoje apresenta oportunidades relevantes em áreas tradicionais que passam por processos de transformação e consolidação. A experiência de Etlin em operações de private equity e em bancos de investimento deve ser fundamental para identificar e apoiar empresas com potencial de expansão nesses segmentos.
Governança em evolução acompanha amadurecimento do ecossistema
A renovação do conselho da Endeavor Brasil ocorre em um contexto de crescimento e profissionalização do setor de empreendedorismo no país. Nos últimos anos, a entidade ampliou sua base de empreendedores apoiados, expandiu sua atuação regional e passou a dialogar com um número maior de setores da economia. A nova composição do board reflete exatamente essa fase de transição, em que a organização busca consolidar sua relevância sem perder a conexão com suas origens.
A saída de Eric Santos após oito anos de mandato também marca o fim de um ciclo. Fundador da RD Station, uma das principais empresas de marketing digital do país, Santos ajudou a Endeavor a fortalecer sua atuação no segmento de tecnologia e a construir pontes com o ecossistema de startups. Sua contribuição foi importante para a entidade, mas a renovação é vista como natural em um processo de governança que busca se manter atualizado diante das mudanças do mercado.
Com o novo board, a Endeavor Brasil quer garantir que sua visão estratégica acompanhe a evolução do ambiente de negócios, sem ficar restrita a um único perfil de empreendedor ou a um único estágio de crescimento. A combinação de fundadores de empresas de sucesso com executivos de mercado é uma tentativa de equilibrar a energia típica do mundo das startups com a visão mais estruturada de quem atua em grandes corporações e fundos de investimento.





