Chilli Beans reforça gestão e renegocia dívida bancária

A Chilli Beans, rede de óculos e acessórios fundada em 1997, decidiu reforçar sua estrutura executiva em um momento decisivo para o caixa da companhia. A empresa anunciou a chegada de André Dela Togna à vice-presidência, com início das atividades em 1º de outubro, e confirmou que conduz conversas avançadas com bancos credores para alongar o perfil da dívida e reduzir a carga de juros. Em meio a essa movimentação, a varejista negou qualquer discussão sobre recuperação judicial.

O novo executivo terá a missão de dar suporte operacional ao CEO e fundador Caito Maia, que passará a dedicar mais tempo à relação com clientes e franqueados. A chegada de Dela Togna é tratada internamente como parte de um projeto mais amplo de reorganização das finanças e da gestão da empresa, que mantém uma operação de grande escala no varejo de óculos.

Perfil do novo vice-presidente

Dela Togna construiu carreira justamente na área de reestruturação de companhias. Até 2022, ele era sócio da Galeazzi & Associados, consultoria comandada por Cláudio Galeazzi e responsável por mais de uma centena de processos de reorganização em grandes grupos, incluindo nomes como Vulcabrás e BRF. Esse histórico é um dos fatores que explicam a escolha da Chilli Beans para o cargo de vice-presidente.

Com a nova configuração, Caito Maia permanece à frente da empresa como CEO, mas dividirá o peso da gestão do dia a dia. A expectativa é que o fundador se concentre em frentes estratégicas de relacionamento, enquanto Dela Togna atua na estruturação operacional e financeira. A composição reforça o movimento de profissionalização da liderança da marca.

Diálogo com credores e rejeição à recuperação judicial

A companhia assumiu publicamente que está em negociação amigável com instituições financeiras credoras. O foco das tratativas é alongar os prazos de vencimento das obrigações e diminuir os juros praticados nos contratos atuais. O desenho é típico de processos de reestruturação de passivo conduzidos fora do ambiente judicial, com o objetivo de preservar a operação e evitar medidas mais drásticas.

Em nota, a Chilli Beans foi enfática ao afirmar que não existe nenhuma discussão sobre eventual processo de recuperação judicial. A companhia também indicou que a chegada de Dela Togna está diretamente conectada a esse projeto, uma vez que o executivo deverá auxiliar na condução das conversas com os credores e na implementação de medidas de ajuste financeiro.

Presença no varejo e planos de crescimento

A estrutura atual da Chilli Beans reúne mais de 800 pontos de venda no Brasil e operações internacionais em países como Estados Unidos, Portugal, México, Colômbia, Peru e Tailândia. A empresa afirma que registrou resultados recordes no último Dia dos Pais e projeta crescimento de 10% ao longo deste ano.

Para sustentar a expansão, a rede aposta em lançamentos especiais em homenagem à trajetória de artistas e em parcerias com grandes marcas da moda. A companhia também informou que desenvolve iniciativas com foco regional para fortalecer a proximidade com consumidores em diferentes localidades. A combinação de reestruturação financeira com manutenção de investimentos comerciais pode ser determinante para equilibrar o ajuste do balanço com a preservação da geração de receita.

Movimentação societária recente

Além da reestruturação de dívida em curso, a Chilli Beans já havia chamado a atenção do mercado por uma potencial movimentação societária. No ano passado, a empresa contratou o banco de investimento UBS BB para estruturar a venda de uma fatia de 30% do negócio. A operação consideraria uma combinação de participação primária e secundária, com valuation estimado em R$ 1,5 bilhão para a companhia como um todo.

De acordo com as informações que circularam na ocasião, a transação movimentaria cerca de R$ 500 milhões. O negócio, porém, não avançou, e a empresa não detalhou oficialmente os motivos. No comunicado mais recente, a Chilli Beans concentra o discurso na renegociação amigável com os bancos e na chegada do novo vice-presidente, sem fazer menção a uma nova tentativa de venda de participação societária.