Escrever um testamento costuma ser associado a pessoas mais velhas, mas uma britânica de 27 anos já definiu o destino de seus bens, segundo reportagem do g1 com informações da BBC. Erin Atkinson atua em pesquisa de psicologia numa universidade da capital inglesa, mudou-se de Bristol para Londres há quatro anos e mora de aluguel sem se considerar rica. Ainda assim, decidiu o que fazer com o que possui.

O veículo dela, de 7 mil libras — cerca de 48 mil reais, conforme a conversão apresentada na reportagem —, ficará com a irmã. Já a joia de ouro recebida do companheiro retorna para ele. Parte do dinheiro será doada a uma entidade de apoio a pacientes com endometriose, causa que ela define como importante e cujo registro em documento considera um gesto de autonomia.

Os números sobre a adoção do documento aparecem no National Wills Report de 2025. No Reino Unido, entre as pessoas de 18 a 24 anos, a proporção de quem tem testamento é de uma em cada cinco. Na faixa de 22 a 34 anos, o índice sobe a 33%; acima dos 55 anos, chega a 56%.

No Brasil, qualquer pessoa a partir de 16 anos pode fazer o documento, desde que esteja em plena capacidade e consiga manifestar sua vontade, com condições físicas e mentais no momento da elaboração. A modalidade pública, tida como a mais solene e confiável, é lavrada em cartório de notas e conta com duas testemunhas.

Custos e alternativas

Advogados que doam tempo e dispensam honorários elaboram testamentos básicos em campanhas voluntárias, como o Will Aid, promovido anualmente em novembro no Reino Unido. Conforme a Citizens Advice, filiados a sindicatos também podem usar um serviço gratuito de confecção do documento.

Sophia Maslin, criadora da Morby, plataforma britânica para montar testamentos online, diz que o maior equívoco é supor que só quem tem muito patrimônio precisa do documento. Poupanças, investimentos, previdência, perfis em redes sociais, animais de estimação e vontades sobre o funeral também entram na conta, afirma ela.

Eleanor Hodgson, da Crombie Wilkinson Solicitors, lembra que a utilidade do testamento não se resume à partilha de bens: alguém terá de administrar contas bancárias e dívidas, e o documento permite indicar quem cuidará disso legalmente, evitando obstáculos.

A decisão de Erin ganhou força após uma amiga comprar um imóvel e depois que ela passou a acompanhar conteúdos de Maslin no TikTok. A Morby nasceu em 2024, inspirada na experiência da própria família da fundadora. A morte da avó de Erin, que deixou instruções claras para uma família numerosa, também influenciou.

No testamento, Erin registrou detalhes afetivos, como um poema a ser lido no funeral e a bebida que quer servir. Para ela, o ato tem a ver com responsabilidade e com facilitar a vida de quem gosta.