Tempestade de inverno nos Estados Unidos ameaça o sistema de energia elétrica
Tempestade de inverno avança sobre grandes cidades dos EUA e pressiona o sistema elétrico

Uma forte tempestade de inverno que avança sobre os Estados Unidos colocou o sistema elétrico do país sob alerta máximo e reacendeu temores de apagões, prejuízos bilionários e impactos diretos no mercado financeiro global.

Mais de 120 milhões de pessoas estão sob aviso de tempestade de inverno, sendo que 48 milhões enfrentam frio extremo, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA. O episódio é descrito por autoridades e analistas como o maior teste para a rede elétrica americana desde a crise de 2021, quando milhões ficaram sem energia no Texas.

O risco não é apenas climático. Para investidores — inclusive brasileiros com exposição ao exterior — o evento adiciona uma nova camada de incerteza ao setor de utilities, energia e infraestrutura.

Tempestade coloca sistema elétrico à prova

O avanço da frente fria deve atingir principalmente Texas, Sul dos EUA e partes do Meio-Oeste, regiões críticas para geração e distribuição de energia. Em cidades como Chicago, a sensação térmica pode chegar a -35 °F (cerca de -37 °C), elevando drasticamente o consumo de eletricidade e gás natural.

A situação preocupa porque o consumo ocorre em um momento de alta vulnerabilidade do sistema, com capacidade reduzida de geração contínua.

Data centers agravam risco de apagões

Um dos principais fatores de pressão vem do crescimento acelerado dos data centers, que operam 24 horas por dia e consomem grandes volumes de energia, inclusive no inverno.

De acordo com a North American Electric Reliability Corporation (NERC), a demanda máxima por eletricidade aumentou 2,5% no último ano, o equivalente à produção de cerca de 20 usinas nucleares. Esse crescimento elevou o risco de falhas no fornecimento em regiões como Texas, Sudeste, Noroeste e Nova Inglaterra.

Historicamente, o pico de consumo ocorre no verão. Agora, a operação contínua dos data centers está mudando essa dinâmica e pressionando o sistema também nos meses mais frios.

Gás natural dispara e expõe fragilidade do setor

As tempestades também afetam diretamente a cadeia do gás natural, principal fonte de geração elétrica nos Estados Unidos. Poços, dutos e usinas podem congelar, reduzindo a oferta justamente quando a demanda dispara.

O resultado já começa a aparecer nos preços: o gás natural registra alta acelerada, aumentando o risco financeiro para geradoras que venderam energia a preços fixos e podem ser obrigadas a comprar insumos no mercado à vista, em condições extremas.

Lembrança de 2021 assombra investidores

O temor do mercado é a repetição do que ocorreu durante a tempestade de inverno de 2021, quando o colapso do sistema elétrico no Texas causou centenas de mortes e prejuízos bilionários.

Na ocasião, o preço da eletricidade chegou ao teto regulatório de US$ 9.000 por megawatt-hora, muito acima da média histórica de cerca de US$ 40. Algumas empresas do setor acumularam perdas bilionárias, afetando balanços e a confiança dos investidores.

Desde então, autoridades exigiram medidas como proteção térmica de equipamentos e uso de anticongelantes em operações de gás. Ainda assim, parte da produção continua vulnerável em eventos extremos.

Impacto direto para investidores brasileiros

Para o investidor brasileiro com posição em ações, ETFs ou fundos internacionais ligados a energia, utilities e infraestrutura dos EUA, o episódio serve como alerta.

Eventos climáticos extremos têm potencial de:

  • Elevar a volatilidade do setor de energia
  • Afetar resultados trimestrais de empresas
  • Pressionar preços de commodities energéticas
  • Influenciar índices e ETFs globais

Além disso, apagões em regiões com forte presença de data centers podem gerar reações políticas e regulatórias, aumentando o risco estrutural para o setor.

Alerta ligado enquanto frio avança

O operador do sistema elétrico do Texas (ERCOT) informou que espera operação normal, mas emitiu alerta preventivo. Analistas destacam que qualquer falha relevante pode gerar impacto imediato não apenas para consumidores, mas também para o mercado financeiro.

Com o frio avançando e a demanda em alta, o setor elétrico dos EUA entra nos próximos dias sob máxima tensão — e com atenção redobrada de investidores ao redor do mundo.