Uma apresentação achada pela Polícia Federal em um HD do Banco Master descreve a fabricação de documentos usados para dar aparência de validade a créditos transferidos ao Banco de Brasília, conhecido como BRB, segundo o g1. O material, ligado à Operação Compliance Zero, indica que informações reais de clientes do CredCesta teriam sido aproveitadas na criação de contratos e na simulação de uma transferência de R$ 7,15 bilhões.
A perícia da PF examinou 28 operações de consignado firmadas de dezembro de 2024 a maio de 2025 e não localizou liquidação financeira efetiva nem repasse dos valores para contas livres da Tirreno Consultoria. A empresa, apontada como sem empregados e sem capacidade de operar, aparecia como destinatária dos créditos e teria sido usada para encobrir a ausência de lastro. A Tirreno abriu uma conta depois, mas ela ficou parada. Os montantes bilionários constavam apenas de lançamentos internos em uma conta gerencial do Master.
Os papéis foram depois levados ao BRB, que aceitou os créditos mesmo com os sinais de irregularidade, conforme o g1. O arquivo mostra uma sequência que ia da obtenção de informações de correntistas e contratos nos sistemas internos ao processamento por programas feitos sob medida e à elaboração de papéis financeiros em larga escala.
O material lista papéis como CCBs, autorizações de clientes e procurações. A apresentação descreve a retirada de datas e de páginas, inclusive folhas de assinatura, além de pedidos de comprovantes de transferência sem elementos que permitissem rastrear as operações. Havia rotinas para compilar informações de clientes, gerar CCBs e consentimentos e produzir procurações por mala direta. Funcionários de áreas diferentes participariam de uma operação coordenada, segundo o material.
O HD foi obtido depois da primeira fase da Compliance Zero, realizada em novembro de 2025. Como a PF não conseguiu duplicar todo o material durante as buscas, requisitou o conjunto ao liquidante do banco. O equipamento foi periciado após ser recebido em 27 de novembro de 2025. Nele estava o arquivo “Revisão – processos e documentos.pptx”, guardado no SharePoint do Master, com título interno “Investigações internas – Banco Master”. O documento tem 26,7 MB, 30 slides, um deles oculto, e data de criação em 23 de outubro de 2025.
A análise consta da IPJ-A 1390980/2026, finalizada em 23 de março de 2026. O material é usado para montar o percurso das informações que embasaram os documentos ligados à carteira repassada ao BRB, segundo a PF.





