Segundo a CNBC, o presidente dos EUA, Donald Trump, pode tentar afastar até três dos sete integrantes do conselho do Federal Reserve, mas decisões judiciais recentes indicam que a ofensiva enfrentaria obstáculos legais consideráveis. A informação foi publicada pela emissora nesta quinta-feira, um dia depois de um relatório do inspetor-geral do Fed não encontrar base para acusações criminais sobre as obras da sede da instituição.

O documento apontou uma série de falhas de gestão que permitiram que os custos da reforma da sede do Fed em Washington subissem cerca de US$ 1 bilhão. Não foram identificadas má conduta administrativa nem motivo para encaminhar o caso a promotores. O relatório também não atribuiu o estouro de custos a Powell ou a qualquer conselheiro, apontando problemas em gestão de projetos, contratos e nos sistemas de supervisão do conselho. Trump, porém, usou o texto para atacar o ex-presidente do Fed. “Powell é um desastre”, disse ele a repórteres na quarta-feira, segundo a CNBC.

O presidente pediu ao procurador-geral Todd Blanche que revise o relatório do inspetor-geral. O escritório de Jeanine Pirro, procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, também analisa o documento, informou a CNBC. Pirro já supervisionou uma investigação criminal sobre Powell, mas um juiz anulou suas intimações, dizendo que o objetivo principal delas era constranger e pressionar o ex-presidente do Fed. O Departamento de Justiça não respondeu a perguntas por e-mail, e o Fed não comentou as declarações de Trump.

Batalhas na Justiça

No caso de Lisa Cook, a Suprema Corte bloqueou em junho a tentativa de removê-la por alegações de que ela teria mentido em um pedido de hipoteca. A corte afirmou que ela tinha direito de ser notificada das acusações e de responder, o que removeu um dos obstáculos ao processo. Em agosto, Cook já havia recebido a notificação e a chance de resposta. O governo, no entanto, ainda precisaria convencer os tribunais de que há causa para a demissão, o que provavelmente exigiria nova análise da Suprema Corte. O caso está com a juíza federal Jia Cobb, que pediu às partes um relatório conjunto de status até 6 de novembro.

Uma investigação externa sobre a falha do Silicon Valley Bank em 2023 segue em andamento. Um relatório preliminar da Starling Advisory Group criticou os supervisores bancários do Fed, que, segundo o documento, deveriam conhecer os riscos do banco até um ano antes da quebra. A revisão não responsabiliza pessoalmente Michael Barr, mas a Casa Branca atribuiu a ele a culpa pelo episódio, sem pedir sua demissão.

Scott Alvarez, ex-conselheiro-geral do Fed, disse à CNBC que os três potencialmente afetados têm incentivo para litigar e permanecer no cargo. Segundo ele, se todos ficarem enquanto os processos correm, Trump apenas prejudica a própria agenda. Alvarez afirmou ainda que o relatório das obras não seria suficiente para um tribunal remover Powell por justa causa.

Powell pode continuar no conselho do Fed até janeiro de 2028 e disse em março que permaneceria até que a ameaça jurídica estivesse encerrada de forma transparente e definitiva. Em janeiro, ele classificou as ameaças contra si como pretextos. A CNBC lembra que o Fed anuncia sua próxima decisão de juros em 28 de outubro, dias antes das eleições legislativas de 3 de novembro nos EUA.