Os mercados iniciam a superquarta (16) com o roteiro desenhado para uma divergência entre os bancos centrais: corte de juros pelo Banco Central do Brasil e nova elevação de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve. Com o caminho praticamente pavimentado, as atenções se voltam para os comunicados de Kevin Warsh, presidente do Fed, e de Gabriel Galípolo, à frente da autoridade monetária brasileira.

No Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) está prevista para as 18h30. Antes disso, o mercado digeriu a prévia do PIB de julho medida pelo IBC-Br, divulgada nesta manhã, que recuou 0,20%. A FGV também informou que o IGP-10 de setembro avançou 1,47%, após deflação de 0,51% em agosto. Segundo o Monitor do Mercado, ambos os índices tendem a influenciar a avaliação de longo prazo do Copom.

Copom e Fed: juros em direções opostas

Nos Estados Unidos, a decisão do Federal Reserve está marcada para as 15h, e a elevação de 0,25 ponto percentual já está precificada pelos investidores. Com o movimento antecipado, o foco recai sobre a comunicação de Kevin Warsh a respeito dos próximos passos da política monetária norte-americana.

Em Nova York, os índices futuros operam em alta antes da decisão, revertendo parte das perdas da sessão anterior. Parte do alívio também é refletida pelo desempenho do petróleo no pregão, que devolve ganhos acumulados nos últimos dias.

Crise no STF domina as atenções no Brasil

Paralelamente à definição dos juros, o mercado acompanha os desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), após o julgamento sobre a investigação de Alexandre de Moraes por envolvimento com Daniel Vorcaro ser adiado por um pedido de vista de Flávio Dino. O pedido prevê prazo de 90 dias para a apresentação da decisão, o que empurra a análise para depois do período eleitoral.

Em meio aos atritos entre os ministros e ao desabafo da ministra Carmen Lúcia, que se disse “envergonhada” com a atual situação da Corte, o STF formou maioria para reunir o caso de Moraes ao processo que envolve André Mendonça.

A menos de duas semanas das eleições, o chamado trade eleitoral tem influenciado o desempenho da Bolsa nas últimas semanas. Nesse contexto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem priorizado o discurso de que todos os ministros envolvidos com o Banco Master sejam investigados, sem distinção. Seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro, usou o pedido de vista de Flávio Dino em comício nesta terça-feira, em Fortaleza, afirmando que a medida é uma forma de proteger Alexandre de Moraes.

O Monitor do Mercado reuniu as principais manchetes da manhã sobre o tema: juristas divergem sobre a manutenção do julgamento de Mendonça na próxima semana (Valor Econômico); Dino lidera reação de grupo pró-Moraes que tenta ganhar tempo e mira Fachin (Folha de S.Paulo); a crise no Supremo atrasa o julgamento de processos sobre uberização, reforma da Previdência e pejotização (Folha de S.Paulo); e a crise inédita na Corte favorece o discurso antissistema e desafia Lula, segundo especialistas (O Globo).

Petróleo recua após disparada e rotas seguem ameaçadas

Os contratos futuros do petróleo operam em queda nesta manhã, após nova disparada nos últimos dias diante das incertezas sobre a oferta do produto. Analistas apontam que a valorização da commodity havia atingido um nível “tecnicamente esticado”. O Brent para novembro cai 1,41%, a US$ 107,21, enquanto o WTI para outubro recua 2,31%, a US$ 103,39.

O movimento sucede altas de 2% (Brent) e 4% (WTI) nos pregões anteriores. As rotas para o transporte da commodity permanecem ameaçadas: no início da semana, a Arábia Saudita suspendeu os tráfegos no Mar Vermelho, um dos principais caminhos alternativos. Persistem ainda as preocupações com a oferta diante da guerra envolvendo o Irã, das interrupções no Estreito de Ormuz e dos ataques que continuam afetando o oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita.

O minério de ferro fechou em alta de 0,14%, aos 709 yuans a tonelada (US$ 105,70).

Bolsas globais buscam recuperação

Na Europa, as principais bolsas buscam recuperação nesta superquarta após duas sessões seguidas de queda, com o apetite por risco favorecido pelo recuo dos preços do petróleo antes da decisão do Fed. Na Ásia, os principais índices fecharam em alta, também apoiados pelo alívio na commodity.

Nos mercados acionários, o S&P 500 Futuro sobe 0,33%; o FTSE 100, +0,57%; o CAC 40, +0,49%; o Nikkei 225, +0,69%; o Shanghai SE Comp, +1,26%; e o Hang Seng, +0,19%.

Ouro, dólar e bitcoin

Entre os demais ativos, o ouro para junho avança 1,10%, a US$ 4.382,62 por onça troy. O índice do dólar (DXY) sobe 0,07%, aos 99,71 pontos. O bitcoin recua 1,75%, a US$ 75.961,80.

Agenda econômica: varejo nos EUA e inflação no Reino Unido

No exterior, os Estados Unidos divulgam nesta manhã as vendas no varejo de agosto, com expectativa de alta de 0,7%, após queda de 0,6% em julho. Às 11h30, o Departamento de Energia publica os estoques semanais de petróleo, gasolina e destilados.

Na Europa, o Reino Unido registrou a maior inflação em cinco meses, com o índice acumulado acelerando para 3,1% em 12 meses. Na zona do euro, a produção industrial de julho recuou 0,1%, contrariando a expectativa do mercado. Às 14h, a presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de um evento em Frankfurt.

Destaques corporativos

No radar de quem investe em ações, a Embraer (EMBJ3) avalia a possibilidade de o governo utilizar títulos soberanos de Angola como garantia para financiar cerca de R$ 2 bilhões destinados à venda de três aeronaves C-390 ao país africano.

O Cade aprovou sem restrições a aquisição da Avibras pela Globe Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A JBS (JBSS32) fechou acordo com a VIVA para unir os negócios de couro na JBS VIVA, com participação de 50% para cada grupo, operação que ainda depende de condições para ser concluída.

A Minerva (BEEF3) aprovou aumento de capital de R$ 2,7 mil, com emissão de 544 ações ordinárias decorrente do exercício de bônus de subscrição. A CVC (CVCB3) teve o rating BBB(bra) reafirmado pela Fitch, mas a perspectiva foi revisada de positiva para estável, citando geração de caixa mais fraca e pressões sobre o setor de turismo.

A Allos (ALOS3) pagará R$ 438 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,291919 por ação, em três parcelas entre outubro e dezembro.