Os juros futuros fecharam em alta nesta quarta-feira (9), pressionados pela disparada do petróleo no exterior e pelo avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano. No mercado doméstico, a decisão do governo de reduzir tributos sobre combustíveis e estender subvenção ao diesel também ampliou o desconforto dos investidores com o cenário fiscal.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu 0,9 ponto-base e encerrou a 13,580%, ante 13,571% do fechamento anterior. No trecho intermediário da curva, o DI para janeiro de 2029 avançou 16 pontos-base, para 13,865%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 registrou ganho de 19 pontos-base, terminando o dia a 14,095%.

Pressão externa sobre os Treasuries

Nos Estados Unidos, o rendimento da Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária do Federal Reserve, operava a 4,436%, ante 4,427% do ajuste anterior. Já o retorno do título de 10 anos, referência global para custo de financiamentos e investimentos, subia a 4,845% por volta das 18h05 (horário de Brasília), de 4,837% na sessão anterior.

O movimento dos títulos americanos foi alimentado ainda pelo anúncio do Tesouro dos EUA de que recomprará US$ 6 bilhões em papéis com vencimentos entre 10 e 20 anos na quinta-feira (10). Ao longo da tarde, o yield da Treasury de 10 anos oscilava entre 4,794% e 4,839%.

Petróleo e geopolítica no radar

Os contratos futuros de petróleo fecharam com alta superior a 3% nesta sessão. O Brent para novembro, referência para a Petrobras, atingiu US$ 101,21 o barril, o maior patamar desde o fim de julho, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou que não está buscando um acordo com Teerã e estimou que a guerra deve se estender até novembro. A avaliação reacendeu expectativas de manutenção da pressão sobre a commodity energética nos próximos meses.

Pacote de combustíveis eleva risco fiscal

No cenário doméstico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que reduziu o PIS/Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro e cortou R$ 0,19 por litro do etanol, zerando a tributação federal sobre o biocombustível. Também foi editada medida provisória que prevê subvenção adicional de R$ 1 por litro de diesel para segurar os preços nas bombas.

A leitura predominante no mercado foi negativa. Um trader ouvido sob reserva classificou a medida como ruim “por todos os lados”, citando não apenas o impacto fiscal, mas o risco de novas ações eleitoreiras às vésperas das eleições. Um estrategista de tesouraria, também sob anonimato, alertou para o risco de a inflação ficar “represada” neste ano e gerar um rebote em 2027.

Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, calcula que o pacote deve retirar 0,15 ponto porcentual do IPCA deste mês, sendo 0,11 ponto referente à gasolina e 0,04 ponto ao etanol. O efeito benigno no índice de curto prazo, porém, não compensou a percepção de piora fiscal.

“Melhora a inflação de curto prazo, mas piora a de longo prazo com o impulso gerado”, afirmou Eduardo Cohn, gestor de portfólio da Heritage Capital. Para Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, o pregão desta quarta-feira foi marcado por uma correção no mercado de juros, amplificada pela dinâmica externa.