
O Itaú Unibanco revisou suas projeções macroeconômicas e passou a estimar que o ciclo de cortes da taxa Selic terá início apenas em março de 2026. Ao mesmo tempo, o banco reforçou um novo alerta para o cenário fiscal brasileiro, especialmente em um ano marcado por incertezas eleitorais.
Segundo o banco, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa básica de juros em 15% ao ano na próxima reunião, marcada para o dia 28. A projeção está alinhada com o consenso do mercado.
Atualmente, 87% dos investidores consultados pela Opção de Copom, negociada na B3, apostam na manutenção dos juros, enquanto apenas 13% ainda esperam um corte imediato. Um mês atrás, esse percentual era de 62%, indicando uma mudança relevante nas expectativas.
Cortes graduais e Selic ainda restritiva
O Itaú projeta que o primeiro corte da Selic será de 0,25 ponto percentual, a partir de março. Com isso, a taxa básica encerraria 2026 em 12,75% ao ano e 2027 em 11,75%, patamar ainda considerado restritivo para a atividade econômica.
Os economistas do banco avaliam que o Copom começa a ganhar confiança de que a política monetária atual está surtindo efeito, diante de sinais de desaceleração da atividade e melhora gradual da inflação.
Ainda assim, o cenário inspira cautela. O Itaú destaca que a desinflação recente está concentrada nos preços de bens, enquanto os serviços seguem pressionados, o que limita um afrouxamento monetário mais rápido.
PIB cresce mais, mas inflação segue no radar
O banco revisou para cima sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, de 1,7% para 1,9%. A melhora reflete um ambiente externo mais favorável e o impacto de estímulos fiscais e parafiscais, como aumento de gastos públicos e medidas de crédito.
Para 2027, a projeção de crescimento é de 1,7%, em um cenário de menor impulso fiscal e política monetária ainda restritiva.
No campo da inflação, o Itaú manteve a estimativa de IPCA em 4,0% tanto para 2026 quanto para 2027. A expectativa é de desaceleração nos preços de bens e serviços, enquanto os alimentos devem registrar alta, influenciados pelo ciclo de proteínas.
Dólar pressionado por risco doméstico
Para o câmbio, o Itaú projeta o dólar em R$ 5,50 ao fim de 2026 e em R$ 5,70 em 2027. Um dólar globalmente mais fraco pode favorecer moedas emergentes, mas o banco avalia que a incerteza fiscal e o cenário eleitoral brasileiro devem manter o prêmio de risco elevado.
Segundo o Itaú, a deterioração estrutural das contas externas limita uma valorização mais consistente do real no médio prazo.
Fiscal vira principal foco de risco em 2026
No cenário fiscal, o banco projeta déficit primário de 0,8% do PIB em 2026. O principal risco apontado é a adoção de novos estímulos à demanda em meio à disputa eleitoral, com possibilidade de gastos acima do limite do arcabouço fiscal, por meio de exceções ou flexibilizações das regras.
O Itaú avalia que a eleição de 2026 tende a ser competitiva e estima que seria necessário um ajuste fiscal de cerca de 4 pontos percentuais do PIB para estabilizar a dívida pública. Ainda assim, os preços dos ativos indicam probabilidade próxima de 50% de que esse ajuste seja efetivamente implementado pelo próximo governo.