Uma compilação do Visual Capitalist que cruza projeções de inflação da OCDE com índices de confiança do consumidor medidos pela Ipsos em 17 grandes economias revela um quadro em que preços e sentimento das famílias raramente caminham na mesma direção. O retrato, referente a 2026, indica que a percepção do consumidor responde a um conjunto mais amplo de fatores — salários, emprego e expectativas sobre o futuro — e não apenas à variação dos preços.

Turquia e Argentina concentram a pressão inflacionária

Turquia, com 31,5%, e Argentina, com 30,8%, projetam inflação média acima de 30% em 2026, patamar que as isola completamente do restante do grupo analisado. Excluídas essas duas economias, o intervalo se estreita: vai de 1,8% no Japão a 5,1% no Brasil. Entre os países do G7, os Estados Unidos registram a maior projeção, de 3,6%, à frente do Reino Unido, com 3,1%.

A confiança do consumidor segue lógica própria

A Índia lidera com folga o índice de confiança, somando 66,9 pontos, apesar de uma inflação projetada de 4,7%. Brasil (52,2), Indonésia (52,9), México (50,8), África do Sul (50,3) e Estados Unidos (50,5) também superam a marca de 50 pontos. No extremo oposto, Alemanha (41,4), França (40,6), Itália (43,0), Coreia do Sul (44,3) e Japão (39,4) ficam todos abaixo de 45 pontos.

O Japão é o caso mais ilustrativo dessa desconexão: tem a menor inflação projetada do ranking, 1,8%, e ainda assim aparece entre os piores índices de confiança, com 39,4 pontos. A Turquia, por sua vez, convive com a maior inflação do grupo e registra 35,3 pontos. A leitura sugere que o indicador captura o estado geral da economia percebida pelas famílias, e não somente o comportamento dos preços.

O pano de fundo inflacionário volta a se deteriorar

As projeções embutem um cenário em transformação. Perturbações no Oriente Médio pressionam os preços de energia, e os estoques globais observados de petróleo caíram 507 milhões de barris entre fevereiro e agosto, reduzindo o colchão disponível para absorver novas interrupções de oferta. Mais da metade das economias do G20 tem inflação acima da meta de seus bancos centrais, e a OCDE projeta alta de 4,1% para o bloco em 2026, ante 3,4% em 2025, com recuo para 3,6% em 2027.

A capacidade de absorver esse movimento é desigual. Salários reais no Japão, na África do Sul e na Itália permanecem iguais ou abaixo dos níveis pré-pandemia, o que torna novas altas de custos essenciais mais difíceis de suportar pelo orçamento das famílias. Você pode acompanhar as inovações e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.