O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (16) e a maior parte do mercado financeiro projeta o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros, que passaria de 14% ao ano para 13,75% ao ano. O anúncio está previsto para depois das 18h.
Confirmado o movimento, a Selic alcançaria o menor patamar desde março de 2025 — uma defasagem de aproximadamente um ano e meio. Ainda assim, medida em termos reais, ou seja, descontada a inflação esperada para os próximos doze meses, a taxa continuaria entre as mais altas do mundo.
Mercado vê última queda do ano
A aposta predominante entre analistas é de que o juro básico encerre 2026 no próprio 13,75% ao ano, o que faria desta a derradeira redução do ciclo neste ano.
O cenário convive com a continuidade do conflito no Oriente Médio, que empurrou para cima o preço do petróleo e carrega potencial de pressão sobre a inflação brasileira por meio dos combustíveis. Na semana anterior, o governo anunciou corte de imposto e preservação dos subsídios aos combustíveis como forma de amortecer o repasse da alta internacional ao mercado interno.
Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esperar que a guerra contra o Irã seja encerrada logo após as eleições legislativas de novembro.
Como o Copom calibra a decisão
A atuação do comitê segue o sistema de metas. Quando as projeções de inflação caminham em linha com o objetivo, há espaço para reduzir juros; quando apontam desvio para cima, a tendência é manter ou elevar a Selic. Desde o começo de 2025, com a adoção da meta contínua, o objetivo ficou em 3%, com cumprimento reconhecido quando o índice oscila entre 1,5% e 4,5%.
A leitura do colegiado recai sobre o futuro, e não sobre a variação recente dos preços. A justificativa é o tempo de transmissão da política monetária: alterações na Selic levam de seis a 18 meses para produzir efeito pleno na economia. Neste momento, o comitê já trabalha mirando o primeiro trimestre de 2028, calibragem que repercute em toda a macroeconomia brasileira.
As estimativas de inflação do mercado para 2026, 2027 e 2028 estão, respectivamente, em 4,9%, 4,3% e 3,80% — todas acima da meta central. Em junho, depois de a inflação ficar seis meses seguidos acima do objetivo, o Banco Central precisou divulgar carta pública com explicações.
Itaú aponta atividade mais fraca e incerteza externa
O Itaú projeta a taxa em 13,75% ao ano e avalia que o quadro doméstico combina moderação da atividade econômica com mercado de trabalho aquecido. Em comunicado, a instituição observou que a inflação corrente, tanto o IPCA cheio quanto os núcleos, apresenta dinâmica mais benigna, com destaque para alimentos e bens industriais.
O banco também apontou que as expectativas de inflação não registraram piora adicional, embora permaneçam distantes da meta. No plano internacional, a avaliação é de incerteza persistente, com a nova rodada de tensões no Oriente Médio gerando volatilidade nos preços do petróleo.
Questionado sobre o patamar da Selic, o mercado segue dividido apenas quanto ao ritmo dos próximos passos: a expectativa dominante é de estabilidade até o fim do ano, sem sinalização, até aqui, de novo alívio monetário em 2026.





