Aquecimento global e mudanças climáticas ameaçam o planeta
ONU projeta alta da temperatura global acima de 1,5°C nos próximos anos

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta quarta-feira, 2 de setembro, que o planeta deve ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento nos próximos anos. O alerta reforça que eventos extremos, como secas históricas, chuvas intensas, ondas de calor e perdas agrícolas, tendem a se tornar mais frequentes e eleva a pressão por respostas mais rápidas na agenda climática global.

A avaliação foi apresentada durante evento promovido pelo Instituto Clima e Sociedade, em meio a alertas sobre os custos econômicos e ambientais do avanço da temperatura média do planeta.

Painel científico confirma aceleração do aquecimento global

A presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Thelma Krug, afirmou que a dimensão e a duração do aquecimento vão determinar o tamanho dos impactos sobre a sociedade e o meio ambiente. Segundo ela, a temperatura global já está cerca de 1,37°C acima dos níveis pré-industriais, com avanço aproximado de 0,26°C por década.

Mantido o ritmo atual de emissões de gases de efeito estufa, haveria de três a quatro anos para limitar o aquecimento, o que evidencia a urgência de redução das emissões em um horizonte curto.

Impactos econômicos e riscos para o setor produtivo

Especialistas alertam que a intensificação dos fenômenos climáticos pode afetar diretamente a agricultura, a energia, a saúde e a infraestrutura. No campo, secas prolongadas e chuvas em excesso tendem a elevar perdas agrícolas e pressionar cadeias produtivas.

O diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), André Guimarães, defendeu medidas urgentes para reduzir a queima de combustíveis fósseis, interromper a conversão de florestas e mudar a relação com a natureza.

Perdas já equivalentes a 2% do PIB global

O economista Sergio Margulis, do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor da PUC-Rio, avaliou que o aumento das temperaturas já provoca prejuízos econômicos em infraestrutura, agricultura, saúde e energia, com impacto equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

Margulis afirmou que o investimento mundial em descarbonização, atualmente estimado em US$ 2 trilhões, precisaria subir para US$ 5 trilhões ou mais. Ele também defendeu a ampliação dos investimentos em adaptação, mas destacou que a prioridade está na redução das emissões.

COP31 surge como próxima janela de decisão

Para o coordenador de política internacional do Observatório do Clima (OC), Claudio Angelo, a contenção da alta da temperatura depende da interrupção da expansão fóssil. Ele citou a COP31, marcada para daqui a dois meses, como uma oportunidade para essa decisão.

O anúncio da ONU recoloca no centro do debate climático a velocidade do aquecimento global e seus efeitos sobre a economia, em um cenário de pressão por cortes mais rápidos nas emissões de gases de efeito estufa.

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