A sessão desta terça-feira (15) terminou no Supremo Tribunal Federal sem que os ministros decidissem se autorizam investigação contra Alexandre de Moraes por causa de uma suposta ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O julgamento foi interrompido por pedido de vista e não há data definida para retomada. O plenário discutia apenas se o caso de Moraes seria tratado de forma separada ou reunido às acusações contra André Mendonça.
A contagem final registrou 4 a 3 em favor da análise separada. Votaram nesse sentido Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin apoiaram o julgamento conjunto. Flávio Dino havia se manifestado pela reunião dos casos, mas solicitou vista e pediu que seu voto fosse excluído da contagem.
Origem do caso
A apuração começou após a Polícia Federal divulgar um relatório sobre mensagens cuja autoria é atribuída a Daniel Vorcaro, remetidas a um telefone vinculado a Alexandre de Moraes. Moraes rejeita as acusações e classifica o documento como ilegal. A Procuradoria-Geral da República contesta a origem do material e requer que ele seja anulado. Em outra frente, Moraes levou acusações contra André Mendonça, falando em possível direcionamento das apurações. Mendonça sustenta que agiu dentro da lei.
Como a análise do mérito não foi iniciada, a Corte não autorizou nem rejeitou a investigação. A interrupção ocorreu durante a discussão sobre o rito, que expôs divergências entre os ministros e colocou em dúvida a imparcialidade de integrantes do próprio tribunal.
Confiança em queda
Levantamento Quest, conhecido um dia antes da sessão, apontou desconfiança de 56% da população do país em relação ao STF. Só 9% declararam confiança alta na Corte. A taxa de desconfiança subiu dez pontos percentuais em apenas um mês. O tribunal ainda precisa enfrentar o caso com transparência para evitar que a crise atinja a autoridade da instituição.





