
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniu na quarta-feira (2) com o Caso Master rondando a sessão, mas sem debate formal sobre o tema. A reunião ocorreu um dia depois de o ministro André Mendonça derrubar o sigilo de uma investigação da Polícia Federal (PF) que revelou mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes.
Fora da pauta, o caso deixou a Corte em compasso de espera. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou pela nulidade do pedido de Mendonça para que Moraes seja investigado. O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que analisará os fatos e prometeu anunciar medidas nos próximos dias, com possibilidade de pautar uma decisão colegiada sobre o assunto.
Corte evita debate, mas enfrenta clima de crise
Os ministros não discutiram o Caso Master na sessão desta quarta, o que não afasta a dimensão do impasse. Para o jornalista Felipe Recondo, que acompanha o Supremo há mais de duas décadas, o episódio representa a “maior crise” pela qual a Corte já passou.
A avaliação de Recondo é que o caso combina suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes e um banqueiro investigado com questionamentos sobre a condução da investigação pelo próprio André Mendonça. O jornalista também relatou o clima entre os ministros em relação ao andamento do caso, marcado pela expectativa de uma definição institucional.
O que está em jogo
O centro da controvérsia está em mensagens reveladas pela PF e atribuídas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em conversas com o ministro Alexandre de Moraes. Prints e relatório da investigação ganharam transparência depois da decisão de Mendonça de retirar o sigilo do material.
Mendonça afirmou ter recebido Vorcaro apenas uma vez, para tratar de uma ação sobre precatórios. Ao mesmo tempo, o ministro pediu explicações à PGR sobre uma mensagem enviada a Moraes que citaria suposta proteção ao dono do Banco Master.
A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, sustenta que o pedido de investigação contra Moraes é nulo. Com posições divergentes em jogo, a definição deve passar pelo plenário do STF, em decisão colegiada que ainda depende de pauta.





