Americanos que se mudam para o exterior continuam sujeitos às regras tributárias dos Estados Unidos e podem ter de prestar contas ao fisco americano e ao do país onde passam a viver, segundo reportagem da CNBC. A emissora lembra que a experiência de estudar fora, comum entre jovens, tem levado muitos a considerar uma mudança definitiva — e a descobrir, só então, que as obrigações fiscais não terminam na fronteira.

Erin Collins, que comanda o Taxpayer Advocate Service, órgão independente dentro do IRS, afirma em relatório anual ao Congresso que os obstáculos enfrentados por contribuintes que vivem no exterior estão entre os problemas mais graves dos americanos, informou a CNBC. Em mensagem à emissora, Collins alertou que o descumprimento das exigências fiscais e de informação pode resultar em multas altas.

Segundo a CNBC, cidadãos americanos que vivem fora geralmente precisam declarar ao IRS toda a renda obtida no mundo, mesmo que trabalhem em outro país. Isso não significa, porém, pagar imposto duas vezes.

A reportagem cita a exclusão de renda auferida no exterior como um dos mecanismos disponíveis: para o ano fiscal de 2026, contribuintes elegíveis podem excluir até US$ 132.900 de renda obtida fora do país. O benefício não é automático e exige o cumprimento de requisitos — ser residente de fato de outra nação por um período que inclua o ano fiscal completo ou estar fisicamente no exterior por pelo menos 330 dias em um intervalo de 12 meses.

Outra opção é o crédito por impostos pagos a outro país, mas a CNBC lembra que não é possível usar a exclusão e o crédito ao mesmo tempo. Há ainda uma extensão automática de dois meses para declarar e pagar, embora juros sobre o valor devido normalmente corram desde o prazo de abril.

Contas bancárias no exterior entram na conta

Abrir conta corrente ou poupança fora dos EUA pode criar uma obrigação que o contribuinte não tinha antes, segundo a CNBC. O FBAR, relatório de contas financeiras estrangeiras enviado à rede de combate a crimes financeiros do Tesouro americano, é exigido quando a soma dos saldos ultrapassa US$ 10.000 em algum momento do ano, sem que isso implique tributação sobre o dinheiro. O prazo é 15 de abril do ano seguinte, com extensão automática até 15 de outubro. Quem tem ativos financeiros no exterior acima de US$ 200.000 no último dia do ano fiscal, ou mais de US$ 300.000 em qualquer momento, também precisa enviar um formulário separado ao IRS.

A CNBC ouve a estudante Reese Charron, 21 anos, aluna do último ano da University of Virginia, que estudou em Valência, na Espanha, e diz que passou a considerar os tributos antes de decidir morar fora. A reportagem também cita a contadora Sheneya Wilson, da Fola Financial, de Nova York, para quem o ideal é consultar especialistas que conheçam as regras dos dois países antes de aceitar um emprego ou fazer a mudança.