Setas apontando para baixo simbolizam queda dos juros e impacto no mercado financeiro
Queda dos juros e cenário eleitoral passam a influenciar decisões no mercado financeiro.

A combinação entre o início do ciclo de cortes de juros no Brasil e a proximidade das eleições de 2026 já provoca mudanças relevantes no posicionamento dos investidores. Gestores apontam uma rotação gradual de capital, com maior interesse por empresas fora do índice principal da Bolsa e companhias sensíveis ao custo do dinheiro.

A avaliação foi feita durante o programa Stock Pickers, que reuniu gestores para discutir os efeitos do cenário macroeconômico e político sobre o mercado acionário brasileiro.

Queda dos juros amplia atratividade de empresas alavancadas

Segundo os participantes, o recuo dos juros tende a beneficiar empresas com maior nível de endividamento, especialmente aquelas que enfrentaram pressão nos últimos anos por conta do custo financeiro elevado.

A leitura é que, com a redução das taxas, essas companhias entram em um ciclo de melhora operacional e desalavancagem, o que pode destravar valor para o acionista. Em alguns casos, cada ponto percentual de queda nos juros representa impacto relevante sobre o lucro.

Small caps ganham espaço fora do Ibovespa

Gestores também destacaram oportunidades em empresas de média e pequena capitalização, que possuem menor peso nos índices tradicionais e foram mais penalizadas pelo fluxo de saída de investidores locais.

O argumento é que esses papéis apresentam maior correlação com a economia doméstica e sofreram com a combinação de juros altos e menor liquidez. Mesmo após alguma recuperação recente, índices como o SMLL ainda permanecem distantes das máximas observadas pelo Ibovespa.

Setores pressionados criam distorções de preço

A pressão sobre segmentos como varejo, consumo e shoppings gerou o que os gestores classificam como “spread amassado”, reflexo da menor liquidez e da aversão ao risco nos últimos ciclos.

Com a mudança gradual do cenário monetário, essas distorções podem ser corrigidas ao longo dos próximos meses, especialmente se o mercado passar a precificar um ambiente mais favorável para a economia doméstica.

Eleições de 2026 entram no radar do mercado

O cenário político também começa a influenciar as expectativas. Gestores avaliam que o mercado tende a antecipar movimentos conforme os principais nomes da corrida eleitoral ganhem força.

Dependendo da percepção sobre o resultado, o nível de incerteza pode aumentar ou diminuir, afetando diretamente ativos mais sensíveis ao risco político. Ainda assim, a avaliação é que fatores externos seguem exercendo papel determinante no desempenho dos ativos brasileiros.

Ambiente global segue como principal vetor

Além do cenário doméstico, o contexto internacional continua sendo apontado como um dos principais vetores para o mercado local. A redução de juros pelo Federal Reserve, a possibilidade de uma postura mais dovish nos Estados Unidos e a trajetória do dólar seguem no centro das atenções.

Na avaliação dos gestores, o Brasil ainda se comporta como um “play alavancado” do dólar global, com boa parte do desempenho recente dos ativos explicada mais por fatores externos do que por decisões internas.