Inflação da zona do euro atinge meta de 2% do BCE em dezembro
Inflação da zona do euro desacelera e atinge meta do Banco Central Europeu.

A inflação anual da zona do euro desacelerou para 2% em dezembro, atingindo exatamente a meta estabelecida pelo Banco Central Europeu (BCE). O dado reforça a avaliação de que a política monetária da autoridade europeia deve permanecer estável no curto prazo, após um ciclo prolongado de aperto.

Segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira, os preços ao consumidor no bloco subiram 2% na comparação anual, abaixo dos 2,1% registrados em novembro. O resultado veio em linha com as expectativas do mercado e sinaliza arrefecimento gradual das pressões inflacionárias.

Desaceleração confirma tendência de alívio nos preços

O recuo da inflação reflete principalmente a perda de força em alguns componentes mais sensíveis, como serviços, que apresentaram crescimento mais moderado após meses de aceleração. O movimento sugere que pressões internas começam a ceder, ainda que de forma gradual.

Além disso, números recentes das duas maiores economias do bloco — Alemanha e França — já haviam indicado inflação abaixo do esperado, contribuindo para o resultado consolidado da zona do euro.

Política monetária deve seguir inalterada

Com a inflação alinhada à meta, cresce a percepção de que o BCE manterá sua taxa de depósito em 2%, ao menos no curto prazo. Autoridades monetárias têm reiterado que a política atual está em um patamar adequado para garantir a convergência da inflação ao objetivo sem comprometer excessivamente a atividade econômica.

Projeções oficiais indicam que a inflação média deve ficar ligeiramente abaixo de 2% ao longo de 2026, após encerrar 2025 ainda um pouco acima desse nível. A expectativa é que o índice volte a convergir exatamente para a meta apenas nos próximos anos.

Crescimento ainda sustenta cautela do BCE

Apesar da desaceleração dos preços, o cenário não é totalmente benigno. A autoridade monetária revisou recentemente suas projeções de crescimento para cima, o que exige cautela adicional para evitar uma retomada inflacionária.

Analistas destacam que fatores estruturais, como escassez de mão de obra e eventuais estímulos fiscais, ainda podem pressionar os preços ao longo do tempo, limitando uma flexibilização mais rápida da política monetária.

Impactos para mercados e investidores

O dado reforça a leitura de um ambiente macroeconômico mais previsível na Europa, com menor volatilidade inflacionária. Para os mercados, isso tende a reduzir incertezas sobre juros e favorece decisões de investimento mais ancoradas em fundamentos.

Ainda assim, o BCE segue monitorando atentamente os desdobramentos econômicos, deixando claro que ajustes futuros dependerão da evolução dos dados.