As exportações da agropecuária brasileira para os Estados Unidos caíram 26,7% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado, apurado pela Amcham Brasil com base em dados do Comexstat, contrasta com o desempenho dos embarques do setor para os demais mercados internacionais, que cresceram 9,5% no mesmo intervalo.

Retração se espalha pelos três grandes setores da economia

Os dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA mostram que a queda dos embarques para os Estados Unidos atinge as três grandes divisões da economia. Na indústria extrativa, as exportações para o mercado americano recuaram 28,9% entre janeiro e agosto, enquanto cresceram 19,6% para os demais destinos. Já na indústria de transformação, as vendas aos Estados Unidos diminuíram 4,9%, ante avanço de 6,6% nos embarques para outros mercados.

A comparação entre os fluxos evidencia o contraste entre o comportamento das vendas ao mercado americano e o das exportações brasileiras para outras rotas internacionais.

Exportações totais aos EUA somam US$ 24,1 bilhões no acumulado

No conjunto da economia, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto, com queda de 9,7% na comparação anual. O resultado representa cerca de US$ 2,6 bilhões a menos em vendas e é o menor valor exportado pelo Brasil ao mercado americano para o acumulado do período desde 2023.

O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, afirmou que o comércio bilateral permanece em trajetória de retração em 2026, com queda tanto das exportações quanto das importações. Segundo ele, Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para as duas economias.

Agosto reage em valor, mas volume recua ao menor nível desde 2021

Apesar do resultado negativo no acumulado, agosto apresentou reação. As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 12,1% em valor na comparação com o mesmo mês de 2025. O avanço, entretanto, ocorreu mesmo com queda de 17,3% na quantidade exportada, que atingiu o menor nível para um mês de agosto desde 2021.

Segundo a Amcham, o aumento do valor exportado foi sustentado pela elevação dos preços médios. Alguns produtos, como carne bovina, café, aeronaves e semimanufaturados de ferro ou aço, também registraram crescimento relevante no volume vendido.

Sobretaxas seguem pressionando o desempenho dos embarques

Os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas, entre 25% e 37,5%, continuam apresentando desempenho mais fraco. As exportações desse grupo caíram 10,5% em agosto. No acumulado de janeiro a agosto, a retração chega a 29,1%, com as vendas diminuindo de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões.

Entre os dez principais produtos atingidos por essas alíquotas, nove registraram queda nas vendas aos Estados Unidos no ano. Itens ligados ao agronegócio estão entre os mais afetados, como fumo não manufaturado, com retração de 39,9%, e sebo bovino, com queda de 39,4%.

Considerando todos os bens submetidos a sobretaxas, as exportações recuaram 11,4% no acumulado de janeiro a agosto, enquanto os produtos sem sobretaxas tiveram redução de 8,3% no mesmo período.

Importações seguem em queda e déficit soma US$ 3,2 bilhões

Do lado das importações, as compras brasileiras de produtos norte-americanos cresceram 1,1% em agosto, no segundo mês consecutivo de avanço após sete meses de retração. No acumulado do ano, porém, as importações ainda caem 8,6%, totalizando US$ 27,3 bilhões.

Com US$ 24,1 bilhões em exportações e US$ 27,3 bilhões em importações, o Brasil acumula déficit de US$ 3,2 bilhões no comércio com os Estados Unidos entre janeiro e agosto.

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