
O mercado de Treasuries dos Estados Unidos mantém o foco nos dados domésticos, especialmente no relatório oficial de empregos de dezembro, que será divulgado nesta sexta-feira, enquanto os desdobramentos geopolíticos na Venezuela seguem com impacto limitado sobre os preços dos títulos públicos.
A avaliação predominante entre investidores é que, enquanto a situação venezuelana não alterar de forma significativa o cenário de inflação ou o equilíbrio global do petróleo, os rendimentos dos Treasuries continuarão reagindo principalmente às perspectivas para crescimento, mercado de trabalho e política monetária americana.
Expectativa é de desaceleração moderada no mercado de trabalho
Economistas projetam a criação de 73 mil vagas em dezembro, acima das 64 mil registradas em novembro, segundo a mediana das estimativas. A taxa de desemprego deve recuar para 4,5%, após ter alcançado 4,6% no mês anterior.
O dado ganha relevância adicional após a divulgação tardia dos relatórios de outubro e novembro, afetados pelo encerramento temporário das atividades do governo federal no fim de 2025. Para participantes do mercado, uma leitura consistente do emprego pode ajudar a restabelecer confiança nas tendências do mercado de trabalho.
Antes do relatório oficial, o setor acompanha a divulgação do levantamento da ADP sobre empregos no setor privado, prevista para quarta-feira. Ainda assim, operadores tendem a atribuir peso limitado ao indicador, considerado um sinal imperfeito do resultado final do governo.
Venezuela ainda não altera expectativas de inflação
Apesar do aumento das tensões políticas após a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, investidores avaliam que o episódio ainda não representa ameaça relevante ao fornecimento global de petróleo.
Nesta terça-feira, o Brent operava próximo de US$ 61 por barril, com oscilações moderadas ao longo do pregão. A leitura do mercado é que o equilíbrio global da oferta permanece confortável e que eventuais ajustes na produção venezuelana tendem a ocorrer de forma gradual.
Sem um movimento persistente nos preços da energia, analistas afirmam que não há, por ora, reflexo direto sobre as expectativas de inflação nos Estados Unidos — fator central para a precificação dos Treasuries.
Treasuries operam em ajuste antes de semana decisiva
Os rendimentos dos títulos americanos registraram leve alta nesta terça-feira, em um movimento de ajuste após a queda observada no início da semana. O rendimento do Treasury de 10 anos avançou para cerca de 4,18%, enquanto o papel de 30 anos se aproximou de 4,86%. Títulos de prazos mais curtos também acompanharam o movimento.
Operadores atribuem a oscilação a fatores técnicos e à normalização do volume de negociações no início do ano, além da postura cautelosa antes de uma agenda carregada de eventos.
Além do relatório de empregos, o mercado acompanha a possível decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a legalidade das tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump, prevista também para sexta-feira, o que pode gerar volatilidade adicional nos mercados de juros.
Geopolítica só entra no radar se afetar petróleo ou déficit fiscal
Para estrategistas, eventos geopolíticos só tendem a provocar um movimento mais consistente de busca por segurança nos Treasuries se houver impacto direto sobre os preços do petróleo ou sobre as contas públicas americanas.
No caso venezuelano, investidores ainda veem incertezas sobre a duração e o alcance do envolvimento dos EUA. Comparações com intervenções passadas, como no Panamá ou no Chile, são consideradas prematuras.
Enquanto isso, o consenso no mercado segue claro: emprego, inflação e decisões do Federal Reserve continuam sendo os principais motores dos juros americanos, deixando a geopolítica em segundo plano — ao menos por enquanto.