O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos subiu 3,4% em 12 meses em agosto, o mesmo ritmo registrado em julho, segundo reportagem da CNBC que cita dados divulgados nesta sexta-feira pelo Bureau of Labor Statistics. Economistas ouvidos pela emissora afirmam que os consumidores devem continuar sentindo o aperto financeiro nos próximos meses, com a tensão no Oriente Médio empurrando para cima os preços da gasolina e de outras fontes de energia.

O relatório foi divulgado num momento em que os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA alcançaram os maiores níveis em anos, encarecendo o crédito para financiamentos imobiliários e de veículos. Parte dos economistas disse à CNBC que a leitura relativamente quente da inflação torna provável uma alta de juros pelo Federal Reserve na reunião de política monetária da próxima semana, movimento que buscaria esfriar a economia e aproximar o índice da meta de 2% ao ano, patamar superado há mais de cinco anos. Thomas Ryan, economista para a América do Norte da Capital Economics, afirmou à CNBC não estar convencido de que a inflação volte a 2% nos próximos seis meses.

O conflito com o Irã está no centro desse quadro, de acordo com os economistas. A guerra restringiu o fluxo de petróleo em um corredor estratégico do Oriente Médio, reduziu a oferta global de energia e elevou preços. Joe Seydl, economista sênior de mercados do J.P. Morgan Private Bank, disse à CNBC que o conflito representa um grande choque de energia para a economia global. A guerra passou da marca de seis meses no fim de agosto.

A gasolina subiu quase 4% em agosto e mais de 27% em relação a agosto do ano passado, segundo o CPI. Na sexta-feira, a média na bomba era de cerca de US$ 4,30 o galão, ante US$ 3,19 um ano antes, de acordo com a AAA. O combustível respondeu por mais de um terço do avanço mensal do índice, conforme o BLS. O diesel atingiu US$ 6 o galão, um recorde, e preocupa mais do que a gasolina, porque encarece o transporte de alimentos e mercadorias até as lojas. As passagens aéreas subiram quase 3% no mês e mais de 23% em 12 meses.

Inteligência artificial e tarifas

A expansão da infraestrutura de inteligência artificial também pressiona os preços, segundo a CNBC. A disputa por chips usados em data centers encareceu componentes de eletrônicos de consumo: em junho, a Apple anunciou preços maiores para MacBooks e iPads, citando custos de memória e armazenamento, e a Microsoft elevou depois o preço do console Xbox pelo mesmo motivo. Já as tarifas da administração Trump continuam a aparecer nos preços ao consumidor, disse Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s, à CNBC. Para Seydl, porém, elas deixaram de ser o principal motor da inflação. A Suprema Corte derrubou uma peça central da política tarifária em fevereiro, e o governo tenta obter efeito semelhante por outros caminhos legais, segundo a CNBC.