As despesas com serviços de utilidade pública nos Estados Unidos formam um mapa próprio, que nem sempre acompanha o custo de vida de cada estado. No primeiro trimestre de 2026, o C2ER Cost of Living Index, publicado pelo Missouri Economic Research and Information Center (MERIC), colocou o Havaí no topo das contas de energia elétrica, gás natural e telefonia: o estado registrou custos 83,5% acima da média americana. No outro extremo, Idaho apareceu com tarifas 26,6% mais baratas do que a referência nacional.
Nesse índice, o valor 100 representa a média dos Estados Unidos. Um número de 120, por exemplo, indica preços 20% superiores ao padrão. O levantamento mede preços relativos de energia residencial, gás natural e serviço telefônico em áreas urbanas participantes.
Ranking dos estados com as maiores contas de energia
O Havaí atingiu o índice 183,5, com um agravante estrutural: cerca de três quartos da eletricidade do estado são gerados a partir de petróleo importado, o que resulta no maior preço médio de energia elétrica do país. Alasca (148,4) e Massachusetts (143,9) aparecem logo atrás, seguidos por Califórnia (134,6) e Connecticut (126,5).
A Nova Inglaterra concentra seis estados no topo da tabela: Massachusetts, Connecticut, Maine (124,6), Rhode Island (122,3), New Hampshire (116,4) e Vermont (112,0). A justificativa está na infraestrutura de combustível. A região tem pouca capacidade de gasodutos para transportar gás natural; em dias de frio intenso, a demanda sobe e o abastecimento depende de gás natural liquefeito importado e de óleo de aquecimento, ambos mais caros. Esse custo maior aparece tanto nas contas de aquecimento quanto na geração de eletricidade.
O caso particular do Texas
O Texas é o principal exemplo de como a conta de serviços públicos pode destoar do custo de vida geral. O estado tinha um custo de vida 9,3% inferior à média nacional em 2026, mas o índice de utilidades ficou em 104,0, ou 4% acima da média. O levantamento associa parte dessa diferença aos efeitos da tempestade Winter Storm Uri, de 2021. A legislação texana autorizou a securitização dos custos deixados pelo fenômeno em títulos pagos por sobretaxas embutidas nas faturas dos consumidores, com parcelas que podem se estender por anos.
Entre os estados mais populosos, Nova York (102,2), Illinois (102,6) e Arizona (102,1) ficaram próximos da média, enquanto a Flórida (94,6) registrou custos 5,4% mais baixos que a média americana.
Hidrelétricas explicam os custos mais baixos no Oeste
No fim do ranking, os quatro estados mais baratos são Idaho (73,4), Novo México (80,0), Montana (80,2) e Nevada (81,3). O Idaho lidera com custos 26,6% menores que a média, e o índice do Havaí é 2,5 vezes maior que o de Idaho.
Uma das razões para esses resultados é a forte presença da geração hidrelétrica. No Idaho, a hidroeletricidade respondeu por cerca de 44% da eletricidade gerada em 2024; em Montana, por cerca de um terço. A fonte hídrica também é a maior renovável na matriz de Idaho, Montana, Oregon e Washington, o que ajuda a explicar por que grande parte do Oeste americano mantém preços abaixo da média nacional.
O retrato das tarifas no início de 2026 mostra que, mais do que o custo de vida geral, a combinação entre fontes de geração e acesso a combustível determina o peso das contas de energia em cada estado. Você pode acompanhar as inovações e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.





