Em meio às críticas da oposição sobre uma suposta falta de articulação, o governo federal divulgou um balanço detalhado dos contatos mantidos com os Estados Unidos. A lista inclui mais de 30 interações, sendo pelo menos 11 com o secretário de Estado Marco Rubio e o representante de Comércio Jamieson Greer. A iniciativa para abrir o diálogo partiu do lado brasileiro, segundo a diplomacia, em uma tentativa de negociar uma saída para o impasse comercial gerado pelo novo tarifaço americano.
Contexto das negociações bilaterais
O novo tarifaço anunciado na quarta-feira (15) é resultado de uma investigação comercial do USTR baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo brasileiro afirma que atuou ininterruptamente junto ao USTR pelo encerramento das investigações, apresentando evidências que refutam as alegações de práticas desleais de comércio. As conversas ocorreram por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, em níveis presidencial, ministerial e técnico. A percepção inicial era de que o cenário se mostrava favorável às negociações após encontros entre Lula e Trump na Malásia e em Washington, mas mudou após a visita do senador Flávio Bolsonaro aos EUA.
Você pode acompanhar os desdobramentos e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney. O governo classificou a decisão americana como um marco lastimável na relação bilateral e repudiou a medida. O presidente Lula anunciou que vai acionar a lei da reciprocidade como resposta.
Impacto da nova medida tarifária
Segundo dados do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil. A nota oficial do governo brasileiro destaca que não há justificativa para medidas unilaterais contra o país. A medida entra em vigor em 22 de julho e inclui uma extensa lista de itens isentos, mas ainda assim representa uma escalada na disputa comercial. Empresas brasileiras já começam a migrar para outros mercados diante do novo cenário tarifário.
O governo rejeita as críticas de que teria deixado de buscar negociação antes da adoção das medidas. O balanço divulgado visa mostrar que houve intensa atividade diplomática, com contatos em todos os níveis. A expectativa é de que a lei da reciprocidade seja acionada para equilibrar as relações comerciais, enquanto o Brasil segue buscando alternativas para mitigar os impactos do tarifaço.





