O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada nesta quarta-feira (15). A medida, confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), entra em vigor em 22 de julho e foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite apurar supostas barreiras comerciais. Flávio usou suas redes sociais para criticar a gestão petista e afirmou que Lula perdeu a capacidade de governar, comparando-o ao ex-presidente americano Joe Biden.
Contexto da sanção americana
A decisão dos EUA decorre de uma investigação comercial do USTR que durou um ano, focada em práticas consideradas desleais por parte do Brasil. O tarifaço atinge uma ampla gama de itens, embora haja uma lista de exceções. O governo americano alega que o Brasil não negociou de boa-fé, o que levou à aplicação da sobretaxa. A medida já provocou reações fortes no cenário político brasileiro, especialmente entre os opositores do atual governo.
Flávio Bolsonaro, em sua manifestação, classificou a administração de Lula como um “avião sem piloto” e disse que o presidente se tornou um perigo para o país. O senador também associou a deterioração das relações bilaterais ao que chamou de incompetência e falta de visão de futuro do PT. “Quem olha pro Lula enxerga passado, atraso, incerteza, corrupção”, afirmou, em tom de crítica ao atual chefe do Executivo.
Reação de Flávio e conexão com Rubio
As declarações do senador ocorreram após uma postagem do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que defendeu que as políticas de Lula são negativas tanto para americanos quanto para brasileiros. Rubio acusou o presidente de colocar o ego acima de acordos comerciais benéficos, e afirmou que as tarifas são consequência dessa postura. Flávio endossou a leitura de Rubio, destacando a proximidade dele com a família Bolsonaro, que incluiu um encontro recente com os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador também lembrou que, em maio, discutiu com Rubio a possibilidade de os EUA classificarem as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Dias depois, o Departamento de Estado anunciou essa medida. Flávio vê nisso um sinal de alinhamento entre sua visão e a do governo Trump, contrastando com a postura de Lula.
Posicionamento do governo brasileiro
O governo Lula repudiou a decisão americana, chamando-a de “marco lastimável” nas relações bilaterais. Em nota oficial, o Planalto afirmou que vai acionar a lei da reciprocidade e que não há justificativa para medidas unilaterais. O texto lembra que os EUA tiveram superávit de US$ 424,5 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos, e rebate as acusações de práticas desleais relacionadas ao Pix, regulação de plataformas e desmatamento.
A administração federal também informou que atuou de forma contínua junto ao USTR para encerrar a investigação, apresentando evidências que refutam cada alegação. Apesar disso, a sanção foi mantida, o que para analistas indica um componente político na decisão. Você pode acompanhar os desdobramentos e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.
Impacto político e perspectivas
A crise comercial com os EUA ocorre em um momento de fragilidade política para Lula, que enfrenta queda de popularidade e críticas da oposição. Flávio Bolsonaro, como pré-candidato, tenta capitalizar o desgaste, defendendo uma mudança de governo para restaurar a confiança internacional. A tarifa de 25% deve afetar setores como siderurgia, agrícola e manufatura, gerando pressão sobre a economia brasileira.
Enquanto isso, o governo busca uma saída diplomática, mas a retórica de Rubio e a reação de Flávio indicam que o tema deve dominar o debate eleitoral. O tarifaço, originalmente baseado em questões técnicas, ganhou contornos claramente políticos, ampliando a divisão entre os dois países.





