Os índices de Wall Street fecharam em baixa nesta sexta-feira, após o relatório de empregos dos Estados Unidos vir bem acima do esperado e reforçar as apostas de que o Federal Reserve (Fed) pode voltar a subir os juros na reunião de setembro. O movimento foi liderado pela pressão sobre os setores mais sensíveis à política monetária, enquanto o dólar e os rendimentos dos Treasuries ganharam força.
O Dow Jones recuou 0,51%, aos 53.414,25 pontos. O S&P 500 caiu 0,38%, para 7.718,60 pontos. Já o Nasdaq, impulsionado pelo desempenho positivo dos setores de tecnologia, fechou em alta de 0,29%, aos 26.506,99 pontos.
No acumulado da semana, o Dow Jones teve perda de 0,27%, enquanto o S&P 500 registrou leve alta de 0,09% e o Nasdaq avançou 0,40%.
Payroll de agosto surpreende e mexe com apostas para o Fed
O núcleo da pressão veio do payroll de agosto, divulgado pelo U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS). A economia americana abriu 162 mil vagas de emprego no mês passado, número bem acima das projeções de 55 mil postos esperados pelos economistas. A taxa de desemprego, por sua vez, permaneceu estável em 4,1%.
O resultado reforça a leitura de que a maior economia do mundo segue aquecida, o que aumenta a probabilidade de o Fed manter ou até elevar os juros para conter a inflação. Pela ferramenta Fed Watch, do CME Group, a chance de alta na próxima reunião do banco central americano subiu de 50,4% na véspera para 58% nesta sexta-feira.
Estratégia de gestor aponta para alta de 25 pontos-base
Na avaliação de Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, o payroll mostra uma economia resiliente, que segue crescendo apesar dos eventos de volatilidade recentes nos Estados Unidos, como as tarifas de Trump e o choque no preço do petróleo causado pela guerra no Irã.
“Acredito que o dado aumenta as chances de um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros norte-americana na reunião de setembro, pois reforça que estamos em uma economia aquecida. Entretanto, o mercado de trabalho já estava estável desde o início do ano e com certeza o principal fator de decisão do Fed para setembro será os dados de inflação (CPI) que serão divulgados na próxima semana”, explicou.
Dólar e Treasuries reagem ao payroll
Com o mercado passando a precificar juros mais altos por mais tempo, o dólar e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, subiram. Os rendimentos de 2 anos, mais sensíveis à política monetária, atingiram o maior nível desde janeiro de 2025.
Nas bolsas, apenas os setores de tecnologia, utilities e indústria operaram em alta. Os demais segmentos fecharam em terreno negativo, em um movimento típico de reprecificação das expectativas para a trajetória dos juros americanos.
Oriente Médio mantém pressão sobre o petróleo
No cenário geopolítico, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou a repórteres que os Estados Unidos podem atacar a Montanha Pickaxe, no Irã, muito em breve. O local, situado perto da instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, que sofreu graves danos, abriga dois complexos de túneis profundamente enterrados.
A fala reforçou o temor de escalada no Oriente Médio e segurou o petróleo em alta. O contrato mais líquido do Brent, referência internacional, para novembro fechou com ganho de 0,80%, a US$ 96,28 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.





