As bolsas de Nova York operavam em baixa nesta terça-feira, pressionadas pela disparada do petróleo, pelos rendimentos dos Treasuries em patamares elevados e pela visibilidade reduzida sobre a demanda ligada à inteligência artificial, em uma sessão marcada pela cautela antes da decisão do Federal Reserve. O Dow Jones Industrial Average recuava 0,60%, a 52.107,88 pontos, o S&P 500 perdia 0,14%, a 7.609,62 pontos, e o Nasdaq Composite cedia 0,11%, a 26.156,71 pontos, segundo a Reuters.
Petróleo em alta e Oriente Médio mantêm pressão
A situação no Oriente Médio segue sem sinais claros de arrefecimento, deixando as cotações da commodity sustentadas e reforçando o temor de um choque na oferta. Os futuros do Brent avançavam 1,9%, a US$107,73 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) era negociado a US$103,64, com valorização de 2,2%.
A pressão também vem da renda fixa americana: os rendimentos dos Treasuries permaneciam em patamares elevados, o que tende a comprimir os valuations das ações e a alimentar a aversão a risco. Uma inflação que supera a meta e o receio de financiamento mais caro já vinham deteriorando o ambiente para os papéis antes mesmo da nova onda de pessimismo.
Chips, IA e a decisão do Fed no radar
As empresas de chips, mais penalizadas na liquidação da véspera, tentavam se recuperar. A Nvidia subia acima de 1%, enquanto o humor em relação a outras gigantes de tecnologia era misto, com perdas inferiores a 1% para Alphabet, Microsoft e Apple.
A apreensão mais recente foi alimentada por apelos de grandes companhias de IA para que o avanço da tecnologia ocorra de forma mais lenta, sob a justificativa de preocupações com segurança. Não está claro como esse freio seria implementado, mas o tema ampliou o pessimismo em um mercado já sensível a uma inflação que supera a meta e ao custo de capital mais caro. Para Joe Saluzzi, cofundador e codiretor de negociação de ações da Themis Trading, atrasos não são bem-vindos em Wall Street e qualquer desaceleração seria um problema, embora o mercado, no momento, não acredite que ela se concretize; ele acrescentou que há muitos fatores competitivos em jogo e que parte dessas companhias tem planos de abrir capital, algo inviável sem lucros e crescimento em exibição.
Na seara monetária, o Federal Reserve se reúne nesta semana para discutir o patamar dos juros, e o mercado atribui 93% de chance a um aumento na quarta-feira.




