
Donald Trump deixou a Turquia em voo secreto após a cúpula da Otan em Ancara, em julho, depois que os Estados Unidos identificaram uma ameaça iraniana considerada crível contra a aeronave presidencial. Novas fotos divulgadas nesta terça-feira (11) mostram os bastidores da operação, que incluiu a troca de avião sem o conhecimento de jornalistas e de parte da equipe da Casa Branca.
Na segunda-feira (10), o jornal The Washington Post revelou que Trump foi escondido em um caminhão de serviço de bordo do aeroporto e transferido para outro avião antes de deixar a Turquia. A operação ocorreu um dia depois de os EUA retomarem os ataques militares contra o Irã, após o fracasso das negociações para pôr fim à guerra.
Como Trump trocou de avião em Ancara
Trump havia chegado à capital turca a bordo de um Boeing 747-8 doado pelo Catar, aeronave que passou por adaptações e se tornou o novo Air Force One. Antes da volta aos EUA, ele anunciou que deixaria o país no antigo Air Force One “pelos velhos tempos”. Em 8 de julho, imagens mostraram o presidente embarcando no avião presidencial no aeroporto de Ancara.
Segundo o The Washington Post, depois do embarque diante das câmeras, Trump foi levado em segredo até uma aeronave militar menor, um C-32A, Boeing 757 modificado usado com frequência pelo vice-presidente. O transporte teria sido feito em um caminhão de serviço de bordo, com a plataforma elevada até a altura da aeronave no lado oposto ao do embarque público.
Para dar aparência de normalidade, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, embarcou separadamente no C-32A por uma escada externa. Jornalistas e alguns funcionários da Casa Branca que seguiram no Air Force One foram orientados a fechar as persianas das janelas e não sabiam que o presidente já não estava a bordo.
Trump voou então para o Reino Unido, onde foi visto descendo do antigo Air Force One após o pouso na base da Força Aérea Real de Mildenhall. Não está claro como ele passou do C-32A de volta para o avião presidencial. Em seguida, embarcou no novo Air Force One doado pelo Catar para o trecho até Washington.
Ameaça iraniana e falas de Trump
Autoridades disseram à CBS News que os EUA identificaram uma ameaça iraniana considerada crível de que o Irã pudesse lançar um míssil contra o avião. Os serviços de inteligência americanos já haviam alertado para uma ameaça específica de ataque contra Trump ou contra a aeronave. Durante a cúpula em Ancara, Trump afirmou que era o “alvo número um” do Irã.
No voo do Reino Unido para os EUA, Trump conversou com jornalistas e mencionou as ameaças, mas não falou sobre a troca de avião. Ao ser questionado sobre a ordem para fechar as persianas, respondeu: “Porque provavelmente era um voo perigoso por causa dos canalhas com quem temos de lidar.”
Trump disse que sua vida está “sob ameaça o tempo todo” e que ocupa o “primeiro lugar” na “lista” do Irã. “Mas, se eu for, vocês também vão, certo? Talvez um dia vocês queiram mudar de profissão”, afirmou.
O que mostram as novas fotos
As imagens divulgadas pelo pool de jornalistas que cobre a Casa Branca mostram os três aviões que costumam compor a comitiva presidencial dos EUA: um Boeing de pintura azul claro, onde Trump chegou a embarcar antes de ser levado secretamente; um Boeing de pintura azul escuro, a aeronave doada pelo Catar e transformada no mais recente Air Force One; e um Boeing de menor porte, usado como apoio, no qual Trump teria seguido viagem.
As fotografias também mostram o caminhão de transporte de alimentos posicionado na parte dianteira do avião e a imprensa fazendo fila para embarcar no Air Force One. O termo Air Force One é um código que se aplica apenas à aeronave no momento em que transporta o presidente; é comum o governo alocar dois aviões para cada agenda, um titular e uma reserva.
Segurança do novo Air Force One
O Boeing 747-8 doado pelo Catar, avaliado em US$ 400 milhões, cerca de R$ 2 bilhões, passou meses de adaptação para o uso presidencial. Fontes disseram à CBS News que os Air Force One mais antigos têm tecnologia a laser capaz de desorientar mísseis que se aproximam; não está claro quais sistemas de defesa existem no avião doado pelo Catar.
O The New York Times noticiou preocupações com a segurança da aeronave doada pelo Catar, incluindo a recomendação do Serviço Secreto para que Trump trocasse de avião na volta da cúpula. Depois da publicação, jornalistas do jornal foram convocados a prestar depoimento sob juramento, e o Departamento de Justiça dos EUA afirmou que investiga vazamentos ilegais sobre a aeronave.
O diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, não confirmou nem negou a troca, mas afirmou que o novo Air Force One é uma aeronave “de última geração”, equipada com medidas de segurança para proteger o presidente e sua equipe. A porta-voz Karoline Leavitt disse que o novo Air Force One é “perfeitamente seguro” para as viagens do presidente, mas receberá novas atualizações e melhorias no outono, em um processo que deve levar cerca de um mês.
A Casa Branca não havia confirmado oficialmente o voo secreto até a última atualização desta reportagem.





