O Havaí entrou em estado de emergência nesta sexta-feira (4) com a aproximação do furacão Lowell, que chegou à categoria 5 durante a travessia pelo Oceano Pacífico e pode se aproximar das ilhas na segunda-feira. O alerta ocorre em um cenário considerado raro por especialistas: três furacões ativos de uma só vez no Pacífico, favorecidos pelo aquecimento das águas provocado pelo super El Niño.

O Lowell é a terceira tempestade que pode atingir o Havaí em apenas um mês. O governo havaiano colocou a Guarda Nacional de prontidão diante do risco de ondas fortes, inundações costeiras e correntes marítimas perigosas.

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) informou que o Lowell estava a 710 quilômetros ao sul de Hilo. As ondas provocadas pelo furacão se propagam para o norte e devem afetar partes do Havaí nos próximos dias, com potencial para condições perigosas perto da costa.

Curva no fim de semana pode aproximar furacão das ilhas

O Lowell chegou à categoria 5, a mais alta da escala, durante o deslocamento pelo Pacífico e perdeu força desde então, mas ainda é tratado como uma tempestade de grande intensidade. A previsão indica que o furacão fará uma curva acentuada para o norte neste fim de semana, e ainda há incerteza sobre sua trajetória.

Uma passagem mais próxima das ilhas de Kauai e Niihau poderia provocar condições mais severas no arquipélago, segundo as projeções mais recentes.

Trio raro de furacões no Pacífico

Além do Lowell, o Pacífico concentra outros dois furacões: Karina, de categoria 4, e Marie, que se converteu em furacão no fim da noite de quarta-feira perto da costa da Baja California. Com a intensificação de Marie, três furacões passaram a cruzar o oceano simultaneamente.

Três furacões ativos ao mesmo tempo é algo “definitivamente raro de observar”, afirmou Julia Cole, climatologista da Universidade de Michigan. Ela explicou que o aquecimento causado pelo El Niño cria as condições para essas tempestades, que são alimentadas em grande parte por águas quentes.

El Niño com 69% de chance de recorde

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima que o fenômeno deste ano tem 69% de chance de se tornar o mais intenso já registrado. Em 2015, outro El Niño particularmente forte provocou uma sucessão de quatro ciclones na região.

O El Niño ocorre a cada dois a sete anos, quando os ventos alísios, correntes leste-oeste que normalmente retêm as águas quentes no Pacífico Ocidental, enfraquecem temporariamente. Com isso, as águas quentes sobem para a superfície e se deslocam para o leste.

Quando as temperaturas se mantêm por vários meses acima do normal, mais tempestades são geradas na região, o que repercute em toda a atmosfera do planeta.