Um terremoto registrado na manhã desta segunda-feira, 10, no oeste da Colômbia deixou ao menos 111 mortos e provocou destruição em cidades como Cali, Manizales e Quibdó. O abalo teve epicentro em San José del Palmar, uma comunidade de cerca de 4.800 habitantes na região de Chocó, a aproximadamente 400 quilômetros de Bogotá, a uma profundidade de 107 quilômetros, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e o equivalente colombiano.
Em Cali, a terceira maior cidade do país, com cerca de 2 milhões de habitantes, o prefeito Alejandro Eder informou que moradores ficaram presos em pelo menos 20 prédios que desabaram. O taxista Jorge Moncayo, de 64 anos, contou que viu nuvens de poeira se erguerem sobre sua casa nas montanhas enquanto construções ruíam, e afirmou que nunca havia vivido um terremoto tão forte; segundo ele, a casa inteira tremeu.
Epicentro em Chocó expõe dificuldade de acesso à região
O epicentro foi localizado em San José del Palmar, uma pequena comunidade em uma região de difícil acesso no departamento de Chocó. O tremor foi sentido também no Equador e no Panamá, segundo informações do governo colombiano. A profundidade do abalo, de 107 quilômetros, ajuda a explicar a ampla percepção do tremor em diferentes pontos do país e em territórios vizinhos.
Abalos de pequena intensidade, conhecidos localmente como “temblores”, são comuns no centro e no oeste da Colômbia, mas eventos acima de magnitude 6,0 são raros. O país, no entanto, já enfrentou tragédias sísmicas recentes: em 1999, um terremoto de magnitude 6,2 próximo à cidade de Armenia matou mais de 1.100 pessoas, o que mantém as autoridades em estado de alerta permanente.
Danos em Cali, Manizales e Quibdó marcam o rastro do tremor
Em Manizales, cidade situada nas montanhas produtoras de café da Colômbia, uma das torres da catedral neogótica desabou sobre a nave. O prefeito Jorge Eduardo Rojas confirmou duas mortes na cidade e pediu que os moradores permanecessem ao ar livre diante do risco de tremores secundários. O colapso de uma estrutura histórica desse porte evidencia a força do abalo e a vulnerabilidade do patrimônio local.
Na capital regional de Chocó, Quibdó, cidade com cerca de 130 mil habitantes, a governadora Núbia Córdoba afirmou em suas redes sociais que há feridos e danos graves em edifícios. Imagens divulgadas pela imprensa local mostram casas e pequenos edifícios desabados nas cidades de Pereira, Cali e Quibdó, reforçando a dimensão dos estragos em diferentes pontos do oeste colombiano.
Seis aeroportos suspenderam operações após o terremoto
A infraestrutura de transporte aéreo foi diretamente atingida. Seis aeroportos localizados no oeste do país sofreram danos e tiveram de suspender as operações, incluindo os terminais que atendem as cidades de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura. A paralisação desses aeroportos pode afetar a logística de ajuda e o deslocamento de equipes nas próximas horas.
O governo colombiano declarou estado de emergência para responder à tragédia. A medida foi anunciada após reuniões de avaliação dos danos e deve facilitar a coordenação das ações de socorro nas regiões atingidas.
Governo colombiano e apoio internacional
O presidente recém-empossado da Colômbia, Abelardo de la Espriella, assumiu pessoalmente o comando da resposta do governo à emergência em San José del Palmar. Em pronunciamento, ele afirmou que a população não está sozinha e que o Estado está presente e tomando medidas para enfrentar a crise.
No plano internacional, Brasil, México e Estados Unidos ofereceram ajuda ao governo colombiano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação com o terremoto em publicação no X, e não há brasileiros entre as vítimas até o momento. Para acompanhar a cobertura de outros acontecimentos globais, acesse a seção de exterior da SpaceMoney.
Um novo desastre em meio à tragédia sísmica sul-americana
O terremoto na Colômbia ocorre após dois abalos consecutivos de magnitudes 7,2 e 7,5 terem atingido a Venezuela no final de junho. Aqueles terremotos destruíram centenas de edifícios e mataram mais de 5.000 pessoas, em uma das piores tragédias naturais da América do Sul nos últimos anos.
O prefeito de Manizales orientou a população a permanecer ao ar livre diante da possibilidade de novos tremores. A governadora de Chocó, por sua vez, afirmou que há feridos e danos graves em edifícios em Quibdó, enquanto o prefeito de Cali relatou moradores presos em pelo menos 20 prédios desabados.





