As ações da SpaceX (SPCX) encerraram a sessão desta quarta-feira cotadas a US$ 148, marcando o segundo pregão consecutivo abaixo do preço de estreia de US$ 150. O movimento de baixa ocorre após a inclusão relâmpago da empresa no índice Nasdaq-100, anunciada na terça-feira, menos de um mês após seu debut na bolsa em 12 de junho. A rápida adesão ao benchmark foi facilitada pelas regras revisadas da Nasdaq para novas companhias abertas, que aceleraram a entrada da contratada de defesa e aeroespacial de Elon Musk no índice de referência.

A incorporação ao Nasdaq-100 forçou fundos indexados e ETFs atrelados ao benchmark a adquirir papéis da SpaceX para espelhar a nova composição, gerando pressão compradora inicial. No entanto, o efeito parece ter se dissipado rapidamente, com o papel acumulando queda de 1,3% nos dois dias seguintes ao anúncio. O recorde de fechamento da ação segue sendo os US$ 201,80 registrados em 16 de junho, logo após a oferta pública inicial (IPO) que levantou US$ 85,7 bilhões — o maior da história — incluindo o exercício do lote suplementar (greenshoe) pelos subscritores.

IPO recorde e volatilidade pós-inclusão

A SpaceX inicialmente ofereceu 555,6 milhões de ações ao preço fixo de US$ 135 cada, mas a demanda aquecida durante a oferta inicial levou os bancos coordenadores a acionar a opção de lote extra. Com o greenshoe, a captação total atingiu US$ 85,7 bilhões, consolidando a maior IPO já realizada no mercado de capitais global. A estreia ocorreu em 12 de junho, com o papel abrindo a US$ 150 e disparando nos dias seguintes até o pico de US$ 201,80 em 16 de junho.

A inclusão no Nasdaq-100, ocorrida em 7 de julho, era amplamente esperada pelo mercado, mas a reação negativa dos últimos dois pregões sugere que parte dos investidores pode estar realizando lucros após o rali inicial. Analistas apontam que a rápida entrada no índice — viabilizada por regras que permitem a adesão de empresas recém-listadas — gerou um fluxo comprador artificial que agora se reverte. A SpaceX, que atua como contratada de defesa e aeroespacial, também enfrenta pressões setoriais, com o mercado monitorando os gastos do governo dos EUA e a concorrência no setor de lançamentos espaciais.

Perspectivas para o papel

Com a cotação atual de US$ 148, a SpaceX negocia 26% abaixo da máxima histórica de US$ 201,80, mas ainda 9,6% acima do preço da IPO de US$ 135. O valuation de mercado, que na estreia superou a marca de US$ 75 bilhões, agora se ajusta à nova realidade de preço. A volatilidade recente reflete o processo de descoberta de preço típico de empresas que entram em índices de grande visibilidade, especialmente quando a inclusão ocorre de forma acelerada.

Para os investidores, o foco agora se volta para os próximos balanços da companhia, que deverão trazer indicadores de receita e lucratividade capazes de justificar o valuation elevado. A SpaceX, que até então era uma empresa fechada com valuation bilionário em rodadas privadas, agora precisa demonstrar capacidade de geração de caixa e crescimento consistente para sustentar o preço das ações no longo prazo. O mercado também aguarda possíveis novos contratos com a Nasa e o Pentágono, que podem impulsionar o papel.