Imagem da SpaceX com gráfico do S&P 500 ao fundo destacando o mercado financeiro
Spacex fica fora do S&P 500 no primeiro ano

O comitê do S&P 500 decidiu não abrir exceção para a SpaceX, mantendo o período padrão de 12 meses antes de incluir novas empresas no índice. A decisão contrasta com as adotadas pela Nasdaq e pelo Russell, que já anunciaram a incorporação da gigante espacial em seus índices assim que o papel começar a ser negociado. Para os investidores passivos, que alocam bilhões nos ETFs que replicam o S&P 500, isso significa que a ação da SpaceX não fará parte do portfólio por pelo menos um ano, mesmo após o maior IPO da história, com valuation de US$ 1,77 trilhão.

A SpaceX estreia na Nasdaq nesta sexta-feira, 12 de junho, com uma capitalização de mercado que a coloca entre as maiores empresas do mundo. O movimento do S&P 500, ao não encurtar o prazo, sinaliza uma postura conservadora diante do novo cenário de megacaps tecnológicas, que inclui também a OpenAI e a Anthropic, ambas com IPOs iminentes de grande porte. A decisão impacta diretamente os milhões de investidores que utilizam fundos indexados como os da Vanguard e BlackRock, que juntos gerenciam quase US$ 2 trilhões em ativos no S&P 500. O ETF VOO, da Vanguard, recentemente ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão em patrimônio.

A postura conservadora do comitê do S&P 500

O comitê responsável pelas regras de inclusão de novas empresas no S&P 500 optou por manter a tradição, rejeitando qualquer aceleração no processo. Isso significa que, mesmo com o tamanho recorde do IPO da SpaceX — o maior da história dos mercados — a ação só poderá ser adicionada ao índice após completar 12 meses de negociação pública. A decisão foi tomada em meio a um debate sobre a velocidade com que índices passivos devem incorporar megacaps, especialmente após a Nasdaq e a Russell terem anunciado que incluirão a SpaceX em seus benchmarks já nas próximas rebalanços.

Para analistas, a postura do S&P 500 pode ser interpretada como uma tentativa de evitar distorções no índice, já que a entrada imediata de uma empresa com valuation de US$ 1,77 trilhão alteraria significativamente a ponderação dos setores. A SpaceX, com seu peso no setor aeroespacial e de tecnologia, se junta a um grupo seleto de empresas que, como a Amazon e a Apple, tiveram que esperar o período padrão para integrar o índice. A medida também protege os fundos passivos de eventuais volatilidades iniciais, comuns em grandes IPOs.

Enquanto isso, a Vanguard e a BlackRock, gestoras dos maiores ETFs do S&P 500, não comentaram a decisão, mas especialistas destacam que a ausência da SpaceX no índice pode gerar um descolamento entre o benchmark e a realidade do mercado. Investidores que buscam exposição direta à ação terão que recorrer a ETFs setoriais ou fundos ativos, já que os passivos do S&P 500 ficarão sem o papel por pelo menos um ano.

O impacto para os investidores de índices e os novos ETFs alavancados

A ausência da SpaceX no S&P 500 não impede que os investidores tenham acesso ao ativo por meio de outros veículos. Vários ETFs alavancados da SpaceX estão sendo lançados nesta sexta-feira, oferecendo exposição com diferentes níveis de risco. Esses fundos permitem que investidores de varejo comprem a ação indiretamente, com taxas de administração e estruturas de derivativos que ampliam ganhos ou perdas. A expectativa é que esses ETFs movimentem bilhões de dólares nos primeiros dias de negociação, atraindo tanto especuladores quanto investidores de longo prazo que desejam diversificar suas carteiras.

Para os investidores passivos que confiam no S&P 500, contudo, a mensagem é clara: o índice não se adaptou à nova era de megacaps tech que está por vir, com IPOs como da OpenAI e da Anthropic no horizonte. A decisão do comitê pode ser vista como um sinal de que o S&P 500 prefere manter seus critérios rígidos, mesmo que isso signifique excluir temporariamente as maiores empresas do mundo. Enquanto isso, a Nasdaq e a Russell já abraçaram a SpaceX, e investidores que buscam exposição imediata podem migrar para esses índices ou para os novos ETFs lançados no mercado.

O cenário ressalta a importância de entender as regras de cada índice na hora de montar uma carteira. Com mais de US$ 2 trilhões alocados em ETFs do S&P 500, a decisão da comissão terá repercussões significativas nos fluxos de capital e na composição dos portfólios institucionais. A expectativa agora é como a OpenAI e a Anthropic, com IPOs estimados em centenas de bilhões, serão tratadas pelos comitês dos principais índices globais, especialmente após o precedente aberto pela Nasdaq e pelo Russell.