O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou neste sábado (18) a conclusão da sétima noite consecutiva de ataques contra alvos iranianos, aprofundando a crise no Oriente Médio e elevando a volatilidade nos mercados globais de commodities e navegação. A operação, que se estendeu até as 21h30 (horário de Brasília) de sexta-feira, mirou infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas do Irã, segundo comunicado oficial divulgado pela força-tarefa.
A escalada ocorre em meio ao contínuo desgaste do frágil cessar-fogo assinado entre Washington e Teerã no mês passado, que previa a reabertura do Estreito de Ormuz — rota vital para o escoamento de cerca de 20% do petróleo mundial. O acordo, costurado após os primeiros bombardeios conjuntos dos EUA e Israel em 28 de fevereiro, já dava sinais de esgotamento, com relatos de novos lançamentos de projéteis iranianos contra o Kuwait e o Bahrein, aliados regionais americanos.
Bloqueio naval e interrupções no comércio marítimo
O Centcom reafirmou que mantém o bloqueio naval integral contra portos iranianos, medida que já resultou na interceptação e redirecionamento de quatro embarcações comerciais nos primeiros três dias de sua renovação. A estratégia, autorizada diretamente pelo presidente dos EUA, visa sufocar a capacidade logística iraniana e impedir o fluxo de suprimentos militares via marítima. Paralelamente, forças navais americanas seguem patrulhando o Mar Arábico em formação cerrada, como registrado em imagens oficiais de 30 de junho.
As interrupções na navegação comercial têm gerado preocupações crescentes entre operadores logísticos e seguradoras marítimas, que já precificam prêmios de risco mais elevados para rotas que cruzam o Golfo Pérsico e o Mar Arábico. O Estreito de Ormuz, por onde transitam diariamente milhões de barris de petróleo e gás natural liquefeito, permanece parcialmente obstruído, elevando os custos de frete e pressionando as cotações do barril nos mercados futuros.
Impactos econômicos e reação dos mercados
Embora o comunicado do Centcom não detalhe o impacto imediato sobre ativos financeiros, analistas de risco geopolítico apontam que a continuidade dos ataques e o bloqueio naval tendem a exacerbar a aversão ao risco em Wall Street e nos mercados emergentes. O petróleo Brent, referência internacional, já acumula alta expressiva desde o início do conflito em fevereiro, e a perspectiva de uma interrupção prolongada no estreito pode levar a novos picos de preço, afetando cadeias globais de suprimento e pressionando bancos centrais a revisarem projeções inflacionárias.
No câmbio, o dólar americano tende a se fortalecer como porto seguro, enquanto moedas de economias dependentes de importação de energia, como o real brasileiro, podem sofrer pressão adicional. A exterior segue monitorando os desdobramentos, que prometem manter a agenda geopolítica no centro das decisões de alocação de ativos nas próximas semanas.





