Os preços do petróleo operam em alta nesta segunda-feira, impulsionados por uma nova escalada retórica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu retaliação contra o Irã pela morte de três militares americanos, e pela declaração de embargo marítimo dos houthis do Iêmen contra a Arábia Saudita. O barril do Brent, referência internacional, avançava 32 centavos, a US$ 88,42, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subia 1 centavo, a US$ 82,50. O movimento ocorre após o Brent ter saltado quase 4% no fim de semana, rompendo a barreira dos US$ 90, com a confirmação das baixas militares dos EUA em confrontos recentes com forças iranianas.

Em uma postagem na rede Truth Social, Trump afirmou que “toda vez que o Irã matar um soldado americano, eles pagarão por essa morte muitas vezes”. A diretriz foi repassada ao secretário de Guerra, Pete Hegseth, ao chefe do Estado-Maior Conjunto, Daniel Caine, e a todos os líderes militares. A retórica agressiva reacendeu temores de uma interrupção no fluxo de petróleo do Oriente Médio, especialmente após os EUA terem bombardeado o Irã por nove noites consecutivas em retaliação a ataques repetidos contra petroleiros que transitam pelo Estreito de Ormuz.

Embargo houthi e riscos à navegação

Os houthis, aliados do Irã no Iêmen, declararam um embargo marítimo contra a Arábia Saudita, elevando ainda mais o prêmio de risco geopolítico embutido nas cotações do petróleo. A medida ameaça diretamente as rotas de exportação de petróleo saudita no Mar Vermelho, uma artéria crítica para o abastecimento global. Analistas do setor avaliam que a combinação de hostilidades diretas entre EUA e Irã com a ação dos houthis pode comprimir ainda mais a oferta disponível, em um momento em que os estoques globais já operam em níveis apertados.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã tentou conter a escalada, mas o mercado permanece cauteloso. A volatilidade deve continuar elevada, com investidores monitorando de perto qualquer sinal de interrupção física no fluxo de petróleo. O Brent já acumula ganhos expressivos nas últimas semanas, refletindo a deterioração do cenário de segurança no Oriente Médio.

Impacto macroeconômico e perspectivas

A alta do petróleo pressiona as expectativas de inflação global, especialmente em economias importadoras como a Europa e a Ásia. O encarecimento da commodity pode forçar bancos centrais a manterem juros mais altos por mais tempo, pesando sobre o crescimento econômico. Nos EUA, o aumento dos custos de energia também pode influenciar a decisão do Federal Reserve sobre o ritmo de cortes de juros.

Para o mercado de exterior, a continuidade do conflito representa um risco assimétrico. Se a situação evoluir para um bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, os preços podem disparar para níveis não vistos desde a crise de 2008. Por ora, o mercado precifica um prêmio de risco elevado, mas sem pânico generalizado.