Barril de petróleo com bandeiras do Irã e de Israel ao fundo
Petróleo dispara 4% com ataques entre Irã e Israel

Os preços do petróleo abriram a semana em forte alta, registrando avanço superior a 4% nesta segunda-feira, após a troca de ataques entre Irã e Israel elevar o risco de uma escalada no conflito do Oriente Médio. O barril do Brent para julho subiu 4,35%, cotado a US$ 97,14, enquanto o WTI para agosto avançou 4,25%, a US$ 94,39 por barril. O movimento reflete o temor de interrupção no fornecimento global da commodity em uma região que responde por cerca de um terço da produção mundial.

As hostilidades marcam a primeira quebra do cessar-fogo estabelecido em abril, mediado pelos Estados Unidos. A Força Aérea israelense atingiu alvos militares no oeste e centro do Irã, em resposta a um disparo de míssil iraniano contra Israel — o primeiro desde o início da trégua. O presidente Donald Trump foi informado sobre a situação, segundo a Casa Branca, e afirmou à Fox News que os ataques ‘certamente não vão ajudar as negociações’.

Impacto nos preços do petróleo

A reação do mercado foi imediata, com os contratos futuros acelerando os ganhos à medida que investidores precificavam um prêmio de risco maior. A alta de 4,35% do Brent o aproxima novamente da barreira psicológica dos US$ 100, patamar não visto desde meados de maio. O WTI, referência americana, acompanhou o movimento, refletindo a preocupação com a estabilidade do Canal de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Analistas destacam que, além do conflito direto entre Irã e Israel, o cenário é agravado pelo bloqueio naval americano na região e por supostas violações do acordo sobre o Líbano, conforme denunciou o porta-voz do Parlamento iraniano, MB Ghalibaf, em publicação no X. A incerteza quanto à duração da crise e o risco de envolvimento de outras potências regionais mantêm os preços elevados.

Decisão da OPEC+ adiciona pressão

Em meio ao agravamento da tensão geopolítica, a OPEC+ anunciou acordo para aumentar suas metas de produção em 188 mil barris por dia (bpd) a partir de julho. A decisão, que visa compensar parcialmente as perdas de oferta de países como Rússia e Irã, foi recebida com cautela pelo mercado. O incremento é considerado modesto diante do tamanho da demanda global e das incertezas sobre a capacidade real de elevação de alguns membros.

A combinação de risco geopolítico e aumento limitado da oferta pela OPEC+ alimenta a expectativa de que os preços do petróleo possam permanecer em patamares elevados nas próximas semanas. Um oficial iraniano envolvido nas negociações com Washington afirmou à MS NOW que ‘um acordo com o presidente Trump não é mais viável neste estágio’, sinalizando que a via diplomática perdeu força imediata. O mercado monitora agora os próximos passos das lideranças regionais e a resposta das potências globais.