A mais recente pesquisa econômica da CNBC, divulgada nesta sexta-feira, revela um quadro de deterioração das expectativas dos eleitores registrados nos Estados Unidos, com 61% dos entrevistados declarando pessimismo em relação à economia atual e futura. O índice é o mais alto desde dezembro de 2023, período de transição pós-pandemia, e contrasta com a euforia dos mercados acionários e a queda nos preços dos combustíveis. Apenas 25% dos participantes se disseram otimistas, sinalizando um descolamento entre a realidade macroeconômica e a percepção popular.
O levantamento, realizado com 1.000 eleitores registrados e margem de erro de 3,1 pontos percentuais, aponta que o presidente Donald Trump sofre com uma aprovação de apenas 40%, fortemente impactada pela avaliação negativa de sua gestão econômica e do conflito com o Irã. A insatisfação com o custo dos alimentos e outros bens de consumo básico é o principal motor do descontentamento, superando os efeitos positivos do mercado de ações e da inflação em desaceleração.
Desaprovação presidencial e cenário fiscal
A pesquisa indica que a aprovação de Trump na área econômica atingiu níveis críticos, com a maioria dos entrevistados responsabilizando o presidente pela piora do cenário. A guerra tarifária e as tensões geopolíticas, especialmente com o Irã, são citadas como fatores que agravam a incerteza e pressionam os preços. Apesar disso, o Partido Democrata não consegue capitalizar plenamente o desgaste republicano: a vantagem democrata na preferência pelo controle do Congresso é de apenas 4 pontos percentuais, um sinal de que a insatisfação é difusa e não se traduz em apoio partidário claro.
O estudo também revela que a confiança do consumidor permanece frágil, mesmo com indicadores objetivos de melhora, como a queda da inflação e a alta do S&P 500. Esse fenômeno, conhecido como “vibecessão”, reflete uma desconexão entre a economia real e a percepção pública, alimentada pela volatilidade dos preços de itens essenciais e pela cobertura midiática negativa. Para analistas, o dado sugere que a recuperação econômica ainda não se consolidou na base da pirâmide social.
Implicações para os mercados globais
O pessimismo generalizado nos EUA tem repercussões diretas sobre os mercados internacionais, uma vez que a economia americana é o principal motor do crescimento global. A queda na confiança do consumidor pode reduzir o consumo, impactando exportadores como China e Europa. Além disso, a baixa aprovação de Trump aumenta a probabilidade de mudanças na política econômica, incluindo possíveis estímulos fiscais ou revisão de tarifas, o que gera incerteza para investidores estrangeiros.
No curto prazo, a pesquisa sugere que o Federal Reserve pode enfrentar pressão para manter uma postura accommodatícia, mesmo com a inflação ainda acima da meta. A combinação de desaceleração econômica percebida e juros elevados cria um ambiente de cautela para ativos de risco. Acompanhe a cobertura completa no economia da SpaceMoney.





