
A Nasdaq informou nesta segunda-feira, 17, que iniciou conversas com reguladores, participantes do mercado e provedores de infraestrutura crítica para viabilizar a negociação de ações 24 horas por dia, cinco dias por semana. A iniciativa, ainda sujeita a aprovações regulatórias e ajustes operacionais, tem previsão de entrar em funcionamento no segundo semestre de 2026, segundo comunicado assinado pelo presidente da bolsa, Tal Cohen.
O movimento ocorre em meio à transformação do perfil global de investidores. No comunicado, a Nasdaq destacou que o aumento da participação de investidores de varejo reformulou o cenário internacional de investimentos, reduzindo barreiras de acesso e ampliando o apetite por ativos americanos. A bolsa citou dados que reforçam essa tese: o total de participações estrangeiras em ações dos EUA somava US$ 17 trilhões em junho de 2024, alta de 97% na comparação com 2019.
Interesse asiático e sofisticação do investidor
Segundo a Nasdaq, investidores da região Ásia-Pacífico têm demonstrado interesse crescente pelos mercados americanos, atraídos pela diversidade de oportunidades, pela solidez do arcabouço regulatório e pelo acesso a setores de alto crescimento, como tecnologia e saúde. O comunicado também destaca a sofisticação crescente desses investidores, que passaram a utilizar estratégias diversificadas, incluindo opções e ETFs.
Um dos exemplos citados pela bolsa é o avanço dos produtos negociados em bolsa ligados ao Nasdaq-100. Nos últimos cinco anos, mais de 56 ETPs que replicam o índice foram lançados, sendo 98% deles fora dos Estados Unidos. Os dados reforçam a tese de que a demanda internacional por mercados americanos não se limita mais aos grandes centros financeiros tradicionais.
Próximos passos
A Nasdaq afirmou que o cronograma de implementação depende do alinhamento com participantes do mercado e com os provedores de infraestrutura crítica do setor, além da aprovação regulatória. A expectativa da bolsa é que a negociação contínua, durante os cinco dias úteis da semana, comece ainda no segundo semestre de 2026. A iniciativa, se confirmada, representaria uma mudança significativa na dinâmica de liquidez e na forma como investidores globais acessam o mercado acionário americano.





