Avião da Ryanair estacionado no aeroporto de Thessaloniki, demonstrando o impacto dos custos de combustível no setor aéreo
Lucro de aéreas pode cair pela metade em 2026 alerta IATA

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) projetou que a rentabilidade global das companhias aéreas será reduzida à metade neste ano, pressionada pelo aumento de US$ 100 bilhões nos custos com combustível. Em relatório divulgado neste domingo, o diretor-geral cessante Willie Walsh destacou que o conflito entre EUA e Irã, iniciado em 28 de fevereiro, elevou os preços do petróleo e, consequentemente, do querosene de aviação, gerando um choque de oferta no setor.

De acordo com a IATA, o preço médio do jet fuel deve ficar 70% mais alto na comparação anual, adicionando US$ 100 bilhões à conta de combustível das aéreas em 2026. Walsh ressaltou que a demanda por viagens continua resiliente, mas as empresas já estão repassando os custos extras aos passageiros por meio de tarifas mais altas. A pressão é especialmente forte na Europa, onde transportadoras como easyJet, Ryanair e Lufthansa aceleraram a contratação de hedge para as necessidades de combustível no verão do hemisfério norte.

Impacto do conflito geopolítico nos custos

A escalada das tensões no Oriente Médio desde o fim de fevereiro provocou uma disparada nas cotações do petróleo bruto, que se refletiu diretamente nos derivados usados pela aviação. Walsh observou que o setor já vinha se recuperando de choques anteriores, como a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia, mas o novo choque geopolítico interrompeu a trajetória de recuperação. A IATA estima que a conta total de combustível das aéreas globais saltará para um patamar recorde, comprimindo as margens operacionais.

As companhias europeias, mais expostas ao encarecimento do querosene, estão entre as mais afetadas. A Ryanair, por exemplo, anunciou recentemente o fechamento de sua base em Thessaloniki a partir de outubro, em meio a uma disputa com a operadora Fraport Greece sobre taxas aeroportuárias elevadas. O movimento ilustra o ambiente de custos crescentes e competitividade acirrada no continente.

Estratégias de hedge e repasse de tarifas

Para mitigar o impacto, as aéreas europeias intensificaram a cobertura de suas compras futuras de combustível por meio de contratos de hedge. A prática, comum em épocas de volatilidade, permite fixar preços e reduzir a exposição a oscilações bruscas do mercado. Empresas como easyJet e Lufthansa já ajustaram suas posições para o verão, período de pico da demanda turística, buscando proteger suas margens.

Apesar disso, a IATA alerta que o repasse integral dos custos extras para as tarifas pode não ser viável em um cenário de concorrência intensa e consumidores sensíveis a preços. Ainda assim, as aéreas estão elevando os valores das passagens gradualmente, o que tende a moderar o crescimento da demanda nos próximos meses. O equilíbrio entre rentabilidade e volume de passageiros será o principal desafio do setor no curto prazo.

Perspectivas para o segundo semestre

Com a alta dos combustíveis e a incerteza geopolítica, a IATA revisou para baixo suas projeções de lucro para 2026. O lucro líquido da indústria deve encolher cerca de 50% em relação ao ano anterior, embora a entidade não tenha divulgado números absolutos. A recuperação plena está condicionada à estabilização dos preços do petróleo e à manutenção da demanda, que até o momento mostra resiliência.

No front macroeconômico, o mercado acompanha de perto os desdobramentos das negociações entre EUA e Irã, que podem aliviar ou agravar as pressões sobre o barril. Enquanto isso, as aéreas seguem ajustando sua malha aérea e estratégias comerciais para navegar em um ambiente de custos elevados. A economia global também observa os impactos inflacionários secundários do choque energético.