O Boeing 767-300 cargueiro da Amazon que se acidentou no domingo (6) no Aeroporto Internacional de Miami ultrapassou a pista em cerca de 1.300 pés, atravessou a área do terminal e atingiu dois veículos, deixando ao menos cinco mortos e cinco feridos. O acidente fechou duas das quatro pistas do aeroporto, o mais movimentado dos Estados Unidos para carga internacional, justamente em um fim de semana de feriado nos EUA.

Em entrevista coletiva na segunda-feira, a presidente do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), Jennifer Homendy, classificou a cena como de “devastação total”, com destroços espalhados pelo local. Segundo ela, a causa do acidente ainda não foi determinada, e a equipe de investigação deve permanecer no aeroporto por pelo menos uma semana.

O que se sabe sobre a sequência do acidente

O voo 7598, operado pela 21 Air para a linha Prime Air da Amazon, chegava de San Juan, em Porto Rico, quando ultrapassou a pista por volta das 14h de domingo. De acordo com Homendy, a aeronave atingiu primeiro uma van Ford Econoline branca, modelo 2021, de propriedade da Professional Ocean Service Corp., empresa contratada para prestar serviços de limpeza às companhias aéreas. Dentro da van estavam sete pessoas.

Em seguida, o avião rompeu a cerca perimetral do aeroporto e colidiu com um Toyota Corolla Cross que estava fora dos limites do terminal. Todas as vítimas fatais estavam nesses dois veículos, confirmou o NTSB. O jato só parou depois de atravessar uma segunda cerca, que separava uma área onde robotaxis da Tesla estavam estacionados.

Investigação e relação contratual entre Amazon e 21 Air

Os investigadores recuperaram o gravador de dados de voo e o gravador de voz da cabine, que serão submetidos a análise na sede do NTSB. Homendy afirmou que novas informações podem ser divulgadas já na terça-feira, mas ressaltou que a causa provável do acidente não será determinada enquanto a equipe estiver trabalhando no campo.

Um dos pontos centrais da apuração será a relação entre a Amazon e a 21 Air, companhia contratada para operar o cargueiro. A investigação pretende examinar as atribuições de cada empresa, as disposições de segurança previstas em contrato e as políticas internas relacionadas à operação, segundo a presidente do NTSB.

Impacto operacional no aeroporto de Miami

O acidente provocou um efeito cascata no tráfego aéreo de Miami. Até o fim da noite de domingo, mais de 160 voos haviam sido cancelados e quase 325 estavam atrasados, conforme dados da FlightAware citados pela agência Associated Press. Os reflexos se estenderam para a segunda-feira, com cancelamentos adicionais motivados pela falta de aeronaves e tripulações em posição, informou o aeroporto.

Duas das quatro pistas seguem fechadas para os trabalhos de investigação. Em comunicado, a Administração Federal de Aviação (FAA) confirmou que a aeronave ultrapassou a pista durante o pouso, depois de partir do Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín, em San Juan. O terminal de Miami é o mais movimentado dos Estados Unidos no segmento de carga internacional.