
O Federal Reserve sob o comando de Kevin Warsh inicia sua primeira reunião de política monetária em meio a expectativas de que não haverá alterações nas taxas de juros no curto prazo. A conclusão é da mais recente pesquisa CNBC Fed Survey, que ouviu 32 participantes entre economistas, gestores de fundos e estrategistas.
De acordo com o levantamento, o Fed não deve promover nenhuma mudança nas taxas até 2027. Ainda assim, 88% dos entrevistados esperam que o banco central remova o viés de afrouxamento (easing bias) de seu comunicado, sinalizando que o próximo movimento não será mais um corte.
A alta inflação, impulsionada pelas tarifas do presidente Donald Trump e pelo conflito com o Irã, retirou da mesa qualquer possibilidade de redução dos juros no horizonte de previsão, tanto da pesquisa quanto dos mercados futuros.
Expectativas do mercado para o Fed de Warsh
Os participantes da pesquisa não esperam nenhuma alteração nas taxas nesta reunião ou em qualquer reunião até 2027. Isso reflete a percepção de que o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, adotará uma postura cautelosa, apesar de ser geralmente considerado um dovish (favorável a juros baixos).
Warsh foi indicado por um presidente que historicamente pressionou o Fed por taxas mais baixas, mas a conjuntura inflacionária atual impede qualquer movimento nessa direção. Os dados da pesquisa indicam que o mercado está alinhado com a expectativa de estabilidade prolongada.
O viés de afrouxamento, que por meses sinalizou que o próximo passo do Fed seria um corte, deve ser removido no comunicado desta semana. Essa mudança é vista como um ajuste necessário para refletir a realidade econômica, sem comprometer a credibilidade da instituição.
Inflação e tarifas: os desafios do novo presidente
A inflação elevada, gerada em parte pelas tarifas comerciais impostas pelo governo Trump e pela guerra com o Irã, é o principal obstáculo para qualquer flexibilização monetária. Esses fatores levaram as expectativas de cortes para além do horizonte de previsão da pesquisa e dos mercados futuros de fed funds, impactando o mercado externo.
Warsh assume em um momento delicado, no qual o equilíbrio entre estimular a economia e conter a inflação é extremamente tênue. Sua reputação de dovish pode ser testada na prática, já que o comitê do Fed se tornou mais hawkish (inclinado a juros altos) nos últimos meses.
Os respondentes da pesquisa apoiam a abordagem de Warsh de reduzir a comunicação do Fed, o que pode dar mais flexibilidade para agir sem criar expectativas excessivas no mercado. A transparência tem sido um tema central, mas em tempos de incerteza, menos falas podem ser mais benéficas.
Perfil dos participantes e suporte à nova gestão
O CNBC Fed Survey contou com 32 participantes, incluindo economistas renomados, gestores de fundos e estrategistas de mercado. Eles representam uma visão ampla do setor financeiro e suas expectativas são amplamente monitoradas.
Os participantes geralmente apoiam a decisão de Warsh de falar menos, o que pode evitar ruídos desnecessários. Além disso, a remoção do viés de afrouxamento é vista como um movimento técnico que alinha a comunicação do Fed com a realidade econômica atual.
A ausência de mudanças nas taxas até 2027 indica que o mercado não espera que o Fed tome ações drásticas tão cedo. Isso pode trazer certa estabilidade para os mercados, embora os riscos inflacionários continuem no radar.





