O Federal Reserve (Fed) subiu nesta quarta-feira (16) o patamar da taxa básica de juros americana em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, na primeira elevação desde 2023 e com aprovação unânime do comitê. A decisão, apurada pelo InfoMoney, interrompe um período de estabilidade que vigorava desde dezembro e abre caminho para um ciclo de aperto mais longo do que o mercado vinha precificando.

O motivo declarado é a inflação, que segue acima do objetivo de 2% e dá sinais de resistência. No comunicado divulgado após dois dias de reunião, o banco central americano afirmou que a medida adotada sustenta um retorno mais rápido à meta, sem oferecer orientação explícita sobre os próximos passos da política monetária — postura alinhada à preferência do novo presidente da instituição, Kevin Warsh.

Projeções apontam mais aperto e convergência lenta da inflação

Os números atualizados do comitê mostram dirigentes inclinados a endurecer ainda mais as condições financeiras. Dezesseis das 18 autoridades esperam pelo menos mais 0,25 ponto até o fim deste ano, enquanto somente duas trabalham com a hipótese de manutenção do patamar atual. A mediana das projeções indica a taxa encerrando 2026 na faixa de 4,00% a 4,25% e permanecendo nesse nível ao longo de todo o 2027.

Do lado da inflação, a estimativa para o índice de preços de gastos de consumo pessoal (PCE) foi revista para 3,7%, contra os 3,6% projetados em junho, e a convergência ao alvo de 2% ficou empurrada para 2029 — um ano mais tarde do que se previa antes. A expectativa de crescimento foi levemente ajustada, de 2,2% para 2,3%, enquanto o desemprego deve fechar o ano em 4,1%, abaixo dos 4,3% estimados na reunião anterior.

O texto também abandonou a referência anterior que atribuía a pressão de preços a choques de oferta, especialmente no setor de energia. A supressão desse trecho reforça a leitura de que os dirigentes, Warsh incluído, enxergam os fatores inflacionários como amplos demais para serem classificados como temporários.

Eleições, crédito imobiliário e o teste da coletiva

O aperto chega a menos de dois meses do pleito de meio de mandato, que vai definir se os republicanos de Donald Trump preservam o controle do Congresso nos dois anos finais do mandato presidencial. O ambiente político é adverso: os preços da gasolina estão cerca de um terço acima do nível de um ano atrás e os custos de financiamento imobiliário sobem de forma persistente em 2026, com a média do crédito de 30 anos de taxa fixa se aproximando de 7%.

Para Warsh, que assumiu o comando do Fed no fim de maio depois de ser indicado por Trump justamente sob a expectativa de que cortaria os juros, a entrevista coletiva desta tarde funciona como o primeiro grande teste de sua gestão. Ele já se comprometeu a conduzir a inflação de volta a 2% com clareza e velocidade suficientes, elevando as taxas sempre que considerar necessário.

A alta era amplamente aguardada pelo mercado, mas os investidores agora buscam pistas sobre quais condições levariam a novos aumentos no custo do dinheiro. A forma como o dirigente explicar a lógica por trás do movimento deve moldar a reação dos ativos, em um momento de rendimentos crescentes nos títulos longos do Tesouro americano.