A situação de segurança no Estreito de Hormuz atingiu o que especialistas classificam como o pior cenário possível para petroleiros, com o Irã intensificando ataques a embarcações na última semana. Segundo Dimitris Maniatis, CEO da Marisks, empresa de serviços de risco marítimo com sede em Atenas, o volume de trânsito pelo estreito já apresenta redução significativa, e as tripulações estão mais apreensivas do que nunca. Em briefing promovido pela Lloyd’s List Intelligence, Maniatis afirmou que ninguém está disposto a se mover na região, refletindo o clima de tensão extrema.

Desde 6 de julho, pelo menos nove navios foram alvo de ataques, conforme dados da Organização Marítima Internacional (IMO), agência da ONU. O Irã busca forçar as embarcações a navegar por suas águas territoriais, desviando da rota protegida pela Marinha dos EUA ao longo da costa de Omã. Na terça-feira, um ataque ao petroleiro Al Bahyah, carregado de petróleo bruto, resultou na morte de um marinheiro e ferimentos em outros três, segundo a IMO. No mesmo dia, outros 11 tripulantes ficaram feridos em uma segunda investida.

Impacto imediato no fluxo de petróleo e nos custos de frete

A escalada de hostilidades no Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, já provoca distorções no mercado de fretes marítimos. Armadores estão recalculando rotas e elevando prêmios de risco, o que tende a pressionar os custos logísticos do setor energético global. A redução no número de trânsitos pelo estreito sinaliza uma contração na oferta disponível de navios-tanque, fator que historicamente antecipa alta nas taxas de frete spot.

Analistas do setor marítimo apontam que a situação atual supera os picos de tensão observados em 2019, quando o Irã apreendeu petroleiros na região. A diferença agora é a frequência e a letalidade dos ataques, com uso de drones e mísseis contra embarcações comerciais. A IMO registrou que os ataques visam não apenas navios com bandeira de países aliados dos EUA, mas também embarcações de nações neutras, ampliando o risco sistêmico para o comércio marítimo global.

Resposta das seguradoras e implicações para o mercado de energia

Seguradoras marítimas já reavaliam as apólices para a região do Golfo Pérsico e do Mar da Arábia. Fontes do mercado de Lloyd’s indicam que os prêmios para navegação no Estreito de Hormuz podem triplicar nas próximas semanas, encarecendo ainda mais o transporte de petróleo bruto e derivados. Esse custo adicional tende a ser repassado aos preços finais dos combustíveis, alimentando pressões inflacionárias em economias dependentes de importação de energia, como as da Europa e da Ásia.

Paralelamente, países do Golfo intensificam investimentos em dutos alternativos ao Estreito de Hormuz, como o oleoduto Abu Dhabi-Habshan-Fujairah, que permite escoar petróleo dos Emirados Árabes Unidos sem passar pelo estreito. No entanto, a capacidade dessas rotas terrestres ainda é insuficiente para substituir o volume transportado por via marítima, o que mantém a vulnerabilidade do mercado global a novos choques de oferta.