O Banco Popular da China selecionou o Deutsche Bank para atuar como a primeira câmara de compensação em yuan na União Europeia, movimento que altera a estrutura tradicional de liquidação da moeda chinesa fora da Ásia. Até agora, as transações internacionais denominadas em yuan eram processadas por filiais dos quatro maiores bancos chineses; com a decisão, o banco alemão se torna a primeira instituição financeira não chinesa a executar essa função no bloco.
A escolha representa uma etapa relevante na estratégia de internacionalização da moeda chinesa e reposiciona o Deutsche Bank dentro do sistema financeiro global. A autoridade monetária da China sinaliza, na prática, que a infraestrutura de compensação do yuan pode ser operada também por bancos ocidentais, e não apenas por grandes instituições do circuito bancário chinês.
Como o Deutsche Bank pretende usar o novo serviço
A instituição alemã atribuiu a escolha ao seu envolvimento crescente na facilitação de atividades de comércio, tesouraria e investimentos entre a China e os países da União Europeia. O presidente do Deutsche Bank na China, Leo Yin, afirmou que a nova estrutura cria uma ponte direta com o sistema financeiro chinês e amplia a capacidade do banco de apoiar clientes envolvidos em fluxos comerciais e de investimento entre Europa e China.
Na leitura do executivo, os grupos europeus devem utilizar o serviço de compensação para reduzir o atrito cambial e agilizar pagamentos. Para os chineses, a novidade permite conduzir operações financeiras e comerciais com o continente europeu sem migrar para outro ecossistema monetário, mantendo os fluxos dentro do universo do yuan.
Integração com o CIPS e o mercado de títulos em yuan
O Deutsche Bank integra o Cross-border Interbank Payment System (CIPS), sistema chinês criado como alternativa ao circuito tradicional de mensagens financeiras, desde o lançamento do mecanismo em 2015. Essa participação prévia dá ao banco uma posição diferenciada na arquitetura de pagamentos desenhada por Pequim.
O banco alemão também é o banco estrangeiro mais ativo na emissão de Panda Bonds, títulos denominados em yuan no mercado doméstico chinês. Com as taxas de juros chinesas em mínimas históricas, a captação de recursos em yuan ganhou força, e emissores como Goldman Sachs, a seguradora Chubb e a Temasek ampliaram a captação por meio de títulos Dim Sum, papéis também denominados em yuan, mas emitidos em Hong Kong.
Ainda tímido no fluxo global, yuan avança no comércio bilateral
Apesar do avanço institucional, a participação do yuan nos pagamentos internacionais ainda é pequena. Em junho, a moeda respondeu por 3,1% das transações financeiras globais; no recorte das transações comerciais, o percentual chegou a 8%, indicando que o uso da divisa está mais concentrado no comércio bilateral do que no conjunto do sistema financeiro.
Nesse cenário, as autoridades chinesas têm estimulado a adoção do yuan em acordos com grandes parceiros comerciais, com o objetivo de reduzir a dependência do dólar e do circuito tradicional de pagamentos. No campo dos swaps cambiais, as renovações mais recentes de cinco anos envolveram Argentina e Malásia.





