O governo da Colômbia, comandado por Abelardo De La Espriella, decidiu retirar a palavra campesino do vocabulário oficial e substituí-la por expressões como produtor agrícola e pequeno empreendedor rural. O anúncio foi levado ao Congresso pelo ministro da Agricultura, Indalecio Dangond, que considera o termo depreciativo e defende uma nomenclatura capaz de elevar o status dos trabalhadores do campo, segundo o InfoMoney. A mudança, apresentada como esforço de dignificação do trabalho rural, virou disputa jurídica em poucos dias.

Parlamentares da oposição e constitucionalistas reagiram de imediato, lembrando que campesinos está no artigo 64 da Constituição colombiana, que reconhece o campesinato como titular de direitos e objeto de proteção constitucional específica. Pressionado, Dangond foi às redes sociais argumentar que camponês e produtor agropecuário não são sinônimos: o primeiro descreveria uma condição social, econômica, territorial ou de agricultura familiar, enquanto a segunda categoria seria mais ampla e abrangeria do pequeno produtor ao empresário do campo. Reconhecer essas diferenças, escreveu o ministro, não divide o campo e permite desenhar políticas melhores para todos.

Da comunicação oficial à política de terras

A polêmica no Legislativo destravou outras informações sobre a estratégia de comunicação do novo governo. A Agência Nacional de Terras (ANT) teria recebido orientações sobre a linguagem a ser usada em relatórios e materiais de divulgação, com a expressão reforma agrária sendo trocada por acesso à terra ou formalização.

Dangond, administrador de empresas com cerca de quatro décadas de experiência em financiamento agropecuário e projetos de desenvolvimento rural, chegou à pasta com três eixos definidos: viabilizar a bancarização de 2,5 milhões de camponeses, avançar na regularização de títulos de propriedade no campo e construir distritos de irrigação para ganhos de produtividade. O objetivo declarado é ampliar o acesso a crédito, assistência técnica e oportunidades para quem produz no meio rural.

As metas e o atraso colombiano

Entre as propostas que o ministro pretende impulsionar estão um censo nacional agropecuário, a criação de 700 escolas de empreendedorismo rural voltadas à renovação geracional e um programa de substituição de 50 mil hectares de cultivos de uso ilícito, com projetos de palma em Tumaco e de cacau em Tibú.

No balanço de um mês de gestão, Dangond afirmou que uma das metas é colocar a Colômbia entre os protagonistas do comércio agrícola até 2030. Ele lembrou que Peru, Uruguai, Brasil e Argentina avançaram de forma expressiva nas últimas décadas, enquanto o país segue estagnado em cerca de 5,5 milhões de hectares cultivados, com 2,4 milhões de pequenos produtores enfrentando dificuldades severas de produtividade.