
O Brasil consolidou uma posição de destaque entre as principais economias emergentes diante do atual cenário de instabilidade geopolítica no Oriente Médio. De acordo com o relatório Macro High Frequency do BTG Pactual , a estrutura do setor externo brasileiro reduziu a vulnerabilidade inicial ao conflito, garantindo um saldo comercial positivo no binômio energia e fertilizantes.
Brasil é o único grande emergente com saldo líquido positivo
A análise isolou o impacto direto via balança comercial, focando nos saldos de petróleo, derivados e fertilizantes. Nesse recorte, o Brasil se destaca como o único entre os grandes emergentes (PIB superior a US$ 500 bilhões) a apresentar um saldo líquido positivo.
Em 2025, o superávit brasileiro em petróleo e derivados atingiu US$ 32 bilhões, enquanto o déficit em fertilizantes foi de US$ 15 bilhões. O resultado é um saldo líquido positivo de US$ 16,4 bilhões, equivalente a 0,72% do PIB.
A Colômbia é a única outra economia da amostra com desempenho comparável, registrando um saldo de 1,55% do PIB. No entanto, em termos absolutos, o Brasil detém o maior “colchão” em dólares entre todos os países analisados.
Resiliência do Real frente ao cenário externo
O relatório aponta uma correlação direta de 0,94 entre a exposição comercial ao choque e o desempenho das moedas locais. Países exportadores líquidos de energia, como Brasil e Colômbia, viram suas moedas performarem melhor do que importadores líquidos.
Desde 27 de fevereiro de 2026, o Real apresentou uma valorização de 2,5% frente ao dólar, ficando atrás apenas do Peso Colombiano (+4,6%). No extremo oposto, países como as Filipinas e a África do Sul registraram as maiores depreciações cambiais, evidenciando a fragilidade dos importadores de energia.
“Mudar o foco de onde você mede sua riqueza, saindo do real e entrando no dólar, é a decisão mais importante para quem busca proteção cambial e independência financeira de longo prazo,” afirma Fábio Murad, CEO da SpaceMoney e criador do método Super ETF.
Segunda linha de defesa: Reservas e Dívida
Além do canal comercial, o Brasil entra no episódio com fundamentos financeiros sólidos. O estoque de reservas internacionais soma US$ 358 bilhões (15,7% do PIB). Outro fator de proteção é a baixa exposição cambial da Dívida Pública Federal, com apenas 3,8% atrelados ao câmbio ao fim de 2025.
Esses elementos, somados a um colchão de liquidez do Tesouro de R$ 1,2 trilhão, explicam por que o país mantém baixa vulnerabilidade externa mesmo operando com déficit em transações correntes.





